Rio de Janeiro, RJ – Uma mulher foi flagrada fazendo uma saudação nazista no pátio do tradicional Colégio Santo Inácio, em Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro, no fim da manhã deste domingo (25). O ato ocorreu logo após a mulher votar no segundo turno da eleição presidencial e provocou revolta imediata entre eleitores presentes no local.
Nas imagens gravadas por testemunhas, a mulher caminha em direção à saída do colégio com o braço direito estendido para a frente e para o alto. Ela vestia a camisa da Seleção Brasileira e um boné com a sigla “MAGA” (Make America Great Again), símbolo do movimento de Donald Trump incorporado pela campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, candidato da extrema-direita que disputa o Planalto no lugar do pai, Jair Bolsonaro, atualmente preso por crimes contra a democracia.
Ao ser confrontada por outros cidadãos no pátio escolar, que gritavam que o gesto se tratava de um crime inafiançável, a mulher partiu para o confronto e questionou os presentes:
“E você é o quê? É comunista?”
Um dos eleitores que gravava a cena rebateu prontamente a agressora:
“Eu não sou comunista, não; eu sou judeu.”
Segundo o relato de policiais e testemunhas, a mulher respondeu “pior ainda” ao ouvir a resposta do homem. Dois eleitores registraram ocorrência na 10ª Delegacia de Polícia (Botafogo), denunciando a apoiadora da chapa bolsonarista por injúria por preconceito e apologia explícita ao nazismo.
De acordo com o agente João Paulo Nunes, responsável pelo registro da ocorrência na Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, a conduta ultrapassou qualquer limite de manifestação partidária:
“Não foi apenas a saudação nazista para um grupo étnico total. Foi um preconceito direcionado a uma pessoa.”
A Polícia Civil do Rio de Janeiro informou em nota que instaurou procedimento para apurar o caso, analisar as imagens das câmeras e identificar formalmente a acusada.
A Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro (FIERJ) divulgou nota condenando com veemência o ato ocorrido na seção eleitoral:
“É especialmente grave que um episódio dessa natureza ocorra durante o exercício do voto, um dos símbolos mais importantes da democracia brasileira.”
A apologia ao nazismo e o racismo afrontam diretamente a Constituição Federal de 1988, que coloca a dignidade humana como cláusula pétrea e classifica a discriminação racial como crime inafiançável e imprescritível. Além do texto constitucional, a Lei Federal n.º 7.716/1989 estabelece pena de reclusão de dois a cinco anos para a divulgação de símbolos nazistas e atos de preconceito étnico e religioso.
O gesto do braço erguido, herdado do Terceiro Reich, simbolizou o extermínio de seis milhões de judeus durante o Holocausto, além do massacre de opositores políticos e minorias.
A exibição do gesto fascista dentro de uma escola da Zona Sul carioca expõe a radicalização extremista que cerca a disputa pelo poder central neste domingo de votação decisiva.



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