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‘Narciso’: filme de Marcelo Martinessi abre a 5ª Mostra Arder

Produção reúne cinema independente e debates com realizadores em salas de Ciudad del Este, Foz do Iguaçu e Puerto Iguazú.

Filme Narciso, coprodução de sete países, tem sessão inaugural com entrada franca no Shopping Zuni. Foto: Muestra Arder.

Ciudad del Este, Paraguai – O cineasta paraguaio Marcelo Martinessi, premiado com o Urso de Prata no Festival de Berlim por “As Herdeiras”, apresenta pela primeira vez na região de fronteira o seu mais recente longa-metragem, “Narciso” (2026). A sessão abre a 5ª edição da Mostra Arder na Fronteira – Mostra de Cinema Cuir Latino-Americano.

A estreia acontece na quarta-feira, 28 de outubro, às 19h, no Cineart, dentro do Shopping Zuni (Avenida San Blas), em Ciudad del Este. O evento terá entrada gratuita e presença confirmada do diretor na sala de cinema, acompanhado pela equipe curatorial.

A coprodução internacional de Narciso reúne produtoras de sete países: Paraguai, Alemanha, Uruguai, Brasil, Portugal, Espanha e França. A obra coloca em primeiro plano narrativas dissidentes sobre vivências que historicamente enfrentam apagamento cultural e censura na América Latina.

A cerimônia de abertura será conduzida por Fábio Ramalho, André Antônio e Chico Lacerda. Ao defender a descentralização do circuito audiovisual tradicional, que costuma priorizar capitais e grandes centros metropolitanos, o diretor explicou a escolha da cidade para a exibição:

“Abrir a Mostra Arder em Ciudad del Este com Narciso é voltar à fronteira com um filme que fala de desejo, memória e território. É de suma importância que esse cinema chegue primeiro à fronteira.”

A abertura dá início a uma programação trinacional de dez dias de exibições e debates simultâneos em cidades do Paraguai, do Brasil e da Argentina. Para facilitar o acesso do público brasileiro, a organização preparou transporte gratuito saindo de Foz do Iguaçu rumo a Ciudad del Este.

Os locais de embarque e os horários dos veículos podem ser conferidos diretamente na página @muestra_arder no Instagram oficial da mostra: https://www.instagram.com/muestra_arder. Informações adicionais e referências sobre a programação também podem ser localizadas pelo mecanismo de busca em https://www.google.com/search?q=.

As solicitações de credenciamento de imprensa e os pedidos de entrevista com Martinessi também devem ser encaminhados pelos canais oficiais do evento.

No segundo dia, 29 de outubro, as sessões continuam no Cineart paraguaio com a exibição de Croma, de Manuel Abramovich, às 19h, e Gente de la ruta, de Lucas Koziarski, às 21h, com debate conduzido pela produtora Camila Acosta.

Entre 30 de outubro e 1.º de novembro, o festival atravessa a Ponte da Amizade e ocupa as salas do Cine Cataratas, no Shopping JL, em Foz do Iguaçu. A grade brasileira reúne obras premiadas e títulos com debates sobre dissidências sexuais, direitos civis e memórias políticas.

Entre os títulos exibidos no Brasil estão Pequenas Tragédias, vencedor do Festival de Brasília 2026, com presença do diretor Daniel Nolasco; Frenesi, com Rian Sizino; Vento Seco; o clássico Copacabana Mon Amour, de Rogério Sganzerla; e Sabes de Mim, Agora Esqueça, de Denise Vieira.

Ainda em Foz do Iguaçu, no dia 30 de outubro, às 23h, o Sudacas Bar abriga a festa “Que Salgan las Bestias”, com repertório centrado em salsa e reggaeton das antigas.

A etapa final do circuito ocorre de 2 a 6 de novembro, com ações divididas entre Foz do Iguaçu e Puerto Iguazú, na Argentina. Em 2 de novembro, o espaço cultural La Cabaña de los Muñecos, no lado argentino, recebe a abertura de uma exposição de fotografia histórica, reunindo Teté Vega (do Arquivo da Memória Trans), Mauricio Holc e La Variante Chola.

Nos dias 3 e 4 de novembro, o programa de curtas-metragens “Divino & Sexual” ganha exibições no Espaço Rivera, em Puerto Iguazú, e na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), em Foz do Iguaçu. A programação inclui títulos como Corpos Santos, La Miel Inmaculada e Operação T, além de conversas com artistas como Camil Victoria.

A formação de novos públicos integra as atividades no dia 4 de novembro, no auditório do ITUREM, em Puerto Iguazú. Das 14h às 17h, estudantes do ensino médio participam de sessão do programa “Espacio Queer”, apresentado por Antonio Zucherino, com exibição dos longas Las Liebres, El Nombre del Hijo e Una Isla Brillante.

Em 5 de novembro, a programação retorna ao La Cabaña de los Muñecos com Estrany Riu, produção vencedora do Prêmio Sebastiane no Festival de San Sebastián, além de Agapornis e Sueño Pélvico, este último com a participação do codiretor Nico Marcet.

O encerramento oficial ocorre no dia 6 de novembro em Puerto Iguazú com a exibição de três produções: Los Nadadores, de Sol Iglesias SK e Valentina D’Emilio; Las Vegas Cuba, de Felipe Eugênio Lovo; e Ajena, de Héctor Villalobos (La Variante Chola). A celebração final acontece a partir das 23h com a festa “Arde el Río”.

Criada em 2022, a Mostra Arder na Fronteira é uma iniciativa independente, colaborativa e gratuita, estruturada a partir da articulação comunitária e artística entre os três países. A realização reúne os produtores paraguaios Arturo Maciel, Maya Riquelme e Aimar Almirón, os brasileiros da Ñanduti Cine e Cambarô Cine, e a equipe argentina formada por Alexia Zinzi Portillo e Nico Luna, que assina a direção artística.

A proposta de integração cultural na faixa de fronteira conta com o apoio institucional da Secretaria de Turismo de Foz do Iguaçu, da UNILA, do Ente Municipal de Turismo de Puerto Iguazú (ITUREM), da Secretaria de Cultura e Turismo de Misiones e do Instituto de Artes Audiovisuais de Misiones (IAAviM).

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista, fundador e editor do portal Fronteira Livre. Com vivência em diferentes países da América Latina e atuação voltada ao jornalismo territorial, dedica sua escrita à análise política, social e cultural das fronteiras, dos territórios e das realidades que marcam a vida dos povos latino-americanos.

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