Salvador, BA – O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) determinou que a Polícia Federal prenda em flagrante o secretário municipal de Mobilidade de Salvador, Pablo Souza. A ordem judicial responde a denúncias de boicote ao transporte público no segundo turno da eleição presidencial, com retenção deliberada de veículos nas garagens para impedir eleitores de votar.
A capital baiana é governada por Bruno Reis (União Brasil), aliado de ACM Neto. Ambos integram o grupo político que apoia publicamente a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) ao Palácio do Planalto, com ACM Neto cotado para assumir ministério em caso de vitória da extrema direita.
Do outro lado da disputa nacional, o presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), busca ampliar votos na Bahia para reverter a desvantagem do primeiro turno contra Bolsonaro. Como a estratégia petista depende da redução da abstenção entre as camadas populares, a restrição de linhas afeta diretamente a base eleitoral do presidente.
A decisão partiu do presidente da corte eleitoral, desembargador Maurício Kertzman Szporer, após ação ajuizada pela Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV). O magistrado mandou restabelecer 100% da frota com tarifa zero, estipulando multa de R$ 1 milhão por hora para o município e para cada empresa concessionária que descumprir a determinação.
A ordem estabeleceu prazo de uma hora para comprovação do serviço integral, com validade mantida durante a votação e até o retorno dos moradores para casa. O tribunal acionou a Polícia Civil para inspecionar ruas e garagens com drones e enviou os autos à Polícia Federal e à Procuradoria Regional Eleitoral para abertura de inquérito sobre crime eleitoral.
O corte superou 50% dos coletivos habituais, esvaziando o passe livre oficializado das 6h às 20h. Moradores de bairros periféricos e populosos, como Lobato, Plataforma, Calçada, São Rafael, Mussurunga e Brotas, enfrentaram pontos e terminais abarrotados, com esperas de horas debaixo do sol.
Durante blitze provocadas por queixas de usuários, fiscais do Procon-BA flagraram 55 ônibus prontos para rodar estacionados no pátio da concessionária OT Trans, que foi autuada por violação eleitoral. Inspeções também constataram retenção de veículos na garagem da Integra Plataforma G7 e na unidade G5, localizada no Caminho de Areia, onde os carros seguiam retidos após as 11h.
O secretário nacional de Comunicação do PT, Éden Valadares, denunciou a operação como manobra política calculada para favorecer Flávio Bolsonaro por meio do cerceamento ao voto:
“O prefeito tenta prejudicar o deslocamento de eleitores e aumentar a abstenção para favorecer Flávio Bolsonaro.”
Valadares orientou a militância a registrar as irregularidades e organizar redes de carona solidária. Diante do impacto das paralisações matinais, a coligação de Lula anunciou que pedirá a prorrogação da votação em território baiano até as 19h.
A Secretaria Municipal de Mobilidade alegou em nota que a operação foi normalizada e atribuiu o sumiço dos ônibus nas primeiras horas do dia a propagandas políticas coladas nas garagens:
“A Semob lembra que é proibido pela lei eleitoral que os ônibus saiam das garagens com adesivos que façam propaganda de qualquer um dos candidatos, e pede a colaboração tanto da população como de entidades sindicais.”
A gestão municipal declarou ainda que notificou as empresas concessionárias para restabelecer a operação plena e o fluxo foi retomado após diálogo com as lideranças sindicais da categoria.
Problemas com a locomoção de eleitores também foram registrados em Sergipe, onde passageiros enfrentaram aglomerações por linhas gratuitas no Terminal Rodoviário Governador Luiz Garcia, em Aracaju. O Departamento Estadual de Infraestrutura Rodoviária (DER-SE) alegou alta procura e anunciou o reforço de 20 ônibus extras intermunicipais para desafogar a demanda no estado vizinho.



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