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Falta de ônibus: Lula denuncia banditismo e pede voto até as 19h

Lula orienta eleitores a resistirem nos pontos e compara corte de linhas municipais aos bloqueios da PRF nas eleições de 2022.

Lula fala com repórteres sobre denúncias de transporte travado e esvaziamento de frotas no segundo turno. Foto: Miguel SCHINCARIOL / AFP.

São Paulo, SP – O presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi a público neste domingo (25) denunciar o esvaziamento das frotas de transporte coletivo em diversas cidades durante o segundo turno das eleições. Lula chamou a retenção dos veículos de “banditismo” e pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que estenda a votação até as 19h, onde houve desfalque nas linhas.

A medida mira a garantia do direito de voto para as camadas de menor renda, contingente que mais depende dos coletivos para chegar aos colégios eleitorais e que historicamente sofre com o custo e a escassez das viagens. O petista apontou o dedo para a cumplicidade entre prefeituras e concessionárias privadas:

“Não vamos permitir que haja roubalheira, que haja banditismo, que haja empresário mau-caráter e prefeito bandido.”

As denúncias de paradas lotadas e sumiço de linhas atingem capitais e cidades médias de diferentes regiões do país. Foram citados casos em São Paulo e Petrópolis, no Sudeste, além de Salvador, Feira de Santana, Lauro de Freitas, Recife, Teresina e João Pessoa, no Nordeste. Na capital paulista, a campanha constatou que somente 60% da frota circulava, descumprindo a ordem judicial que determinava operação equivalente a dias úteis.

Diante dos atrasos e do risco de abstenção forçada de quem não tem outro meio de locomoção, Lula apelou para que as pessoas não desistam de esperar:

“Quero pedir para que o povo não desista de ir votar. Estamos entrando com um pedido para que a Justiça possa prorrogar o processo eleitoral, para que as pessoas impedidas de votar por sacanagem de prefeitos possam comparecer.”

O petista avisou que a coligação vai exigir punição legal severa aos gestores públicos que usaram a máquina municipal para sabotar a presença da população nas seções eleitorais:

“Depois das eleições, o próximo passo é pedir a prisão desses prefeitos, por crime eleitoral. Porque não é possível, no século 21, você ter prefeito tentando coibir e proibir o povo de exercer seu livre direito democrático de votar.”

Ao defender a legitimidade da disputa nas urnas, o candidato disse respeitar o processo democrático, desde que a soberania popular não seja sabotada pelo estrangulamento do transporte:

“Não desistam de votar. Esperem e votem, porque a democracia tem que sair vencedora nesse processo eleitoral.”

“O que nós queremos é eleição feita, eleição honesta, com todo mundo tendo direito de votar. Todo mundo acata o resultado.”

As ações contra o boicote ao transporte foram distribuídas pela Federação Brasil da Esperança, que reúne PT, PCdoB e PV. Em São Paulo, o processo exige que a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) e a SPTrans ponham nas ruas a totalidade dos veículos até o fim da apuração e o retorno dos trabalhadores para suas casas.

Na Bahia, o quadro levou o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-BA) a fixar multa de R$ 1 milhão por hora caso a prefeitura não colocasse 100% da frota nas ruas. A Justiça baiana decretou a prisão do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, após flagrantes de ônibus trancados nas garagens.

A representação pede também a prisão em flagrante do prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), e dos donos das empresas concessionárias. Ao criticar a administração soteropolitana, Lula afirmou que o secretário municipal de mobilidade viajou para Paris em pleno dia de votação.

O presidente comparou a retenção de passageiros nas periferias às operações e bloqueios promovidos pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) no pleito de 2022, que visaram principalmente eleitores do Nordeste:

“Eu não vou permitir que o povo seja outra vez enganado, como foi em 2022, quando a Polícia Rodoviária Federal não permitiu que as pessoas fossem votar.”

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista, fundador e editor do portal Fronteira Livre. Com vivência em diferentes países da América Latina e atuação voltada ao jornalismo territorial, dedica sua escrita à análise política, social e cultural das fronteiras, dos territórios e das realidades que marcam a vida dos povos latino-americanos.

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