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São Paulo tem 3,8 mil ônibus nas garagens durante a votação

Dados do Infobus provam que prefeitura desobedeceu ordem judicial para manter 100% dos veículos em serviço no dia da eleição.

Garagens de ônibus em São Paulo guardavam quase 4 mil veículos parados no segundo turno. Renato Pinheiro/Pref. SP

São Paulo, SP – A Prefeitura de São Paulo descumpriu a ordem da Justiça Eleitoral que determinou a circulação de 100% da frota de ônibus municipais neste domingo de votação (25/10). No início da tarde, às 13h20, 28,3% dos veículos continuavam parados nos pátios das empresas de transporte.

O levantamento do aplicativo Infobus, que acompanha as viagens em tempo real por GPS, mostrou que apenas 9.892 dos 13.790 ônibus da SPTrans trabalhavam no horário. O número inclui inclusive os carros retidos em pontos finais. Ao todo, 3.898 veículos não saíram para atender a população.

A Justiça Eleitoral publicou a decisão na sexta-feira (23) com a ordem expressa de que a prefeitura e a SPTrans adotassem a tabela de dias úteis. A medida buscava garantir que a população conseguisse chegar aos locais de votação.

Na capital fluminense, usada como base de comparação, a circulação atingiu 100% no mesmo período. A conta carioca deixa de fora apenas os veículos parados para manutenção mecânica.

A administração de Ricardo Nunes (MDB) pretendia repetir no segundo turno o esquema de sábado usado no primeiro turno. A prefeitura afirmou ter avisado as empresas concessionárias no sábado (24), mas não explicou em que horário enviou o comunicado.

Nunes apoia a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) e enfrenta acusações de assédio eleitoral. A retenção do transporte afeta de forma direta o direito de voto da população, principalmente de quem mora nos bairros afastados do centro e depende dos ônibus para se deslocar.

O corte na frota atingiu fortemente linhas que ligam a periferia ao centro. O trajeto Vila Carrão – Praça da Sé, planejado para funcionar com 17 ônibus, tinha apenas um carro na rua no começo da tarde.

Rodrigo Faria G. Iacovini, diretor executivo do Instituto Pólis e integrante do Conselho Municipal de Trânsito e Transporte, explicou que a circulação atinge raramente a totalidade por conta de revisões mecânicas, mas deveria ficar acima de 85% ou 90%. O sistema operou com 71,7%.

Iacovini apontou que os trabalhadores foram convocados em cima da hora:

“Os motoristas disseram que a ordem pra virem trabalhar hoje chegou tarde, depois das 18h de ontem, segundo algumas pessoas do campo apuraram.”

Na sexta-feira, o Instituto Pólis havia entregue um pedido oficial à SPTrans e à prefeitura, cobrando intervalos de dia útil até o fim da votação. O documento pedia foco nas periferias e nos pontos de grande movimento, mas o poder público não respondeu.

Outros trajetos importantes também ficaram vazios. A linha Shopping Center Norte – Jd. Fontális, que vai da Marginal Tietê até o extremo da zona norte, rodava com 11 ônibus e mantinha sete parados.

Duas linhas movimentadas que saem do Terminal Santana rumo aos terminais Ana Rosa e Jabaquara, na zona sul, tinham juntas 24 carros no trânsito e 33 trancados nas garagens.

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista, fundador e editor do portal Fronteira Livre. Com vivência em diferentes países da América Latina e atuação voltada ao jornalismo territorial, dedica sua escrita à análise política, social e cultural das fronteiras, dos territórios e das realidades que marcam a vida dos povos latino-americanos.

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