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Nova ponte no Rio São Francisco vai ligar Alagoas e Sergipe

Obra do governo Lula atinge 50% e prevê fim das balsas entre AL e SE; ponte de R$ 207 milhões tem 1,18 km e vão para navegação.

Pilares e vigas de sustentação erguidos no leito do São Francisco para a nova ponte da BR-349. Foto: Divulgação.

Penedo, AL – As populações ribeirinhas de Penedo, em Alagoas, e Neópolis, em Sergipe, acompanham o avanço das obras de uma nova ponte rodoviária sobre o Rio São Francisco, projetada para substituir a dependência histórica do transporte por balsas na região do Baixo São Francisco.

Com investimento do governo federal estimado em R$ 207 milhões, a construção faz parte do traçado da BR-349 e tem previsão oficial de entrega em dezembro de 2026. A nova travessia fixa pretende encurtar distâncias e eliminar a espera nas margens enfrentada diariamente por trabalhadores, comerciantes e passageiros.

A estrutura terá 1,18 quilômetro de extensão total e 18 metros de largura, com faixas projetadas não apenas para o tráfego de veículos pesados e de passeio, mas também com espaços destinados à circulação segura de ciclistas e pedestres.

Segundo dados divulgados pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), o empreendimento atingiu 50% de execução física em abril de 2026. Naquele mês, as frentes de trabalho iniciaram o assentamento das vigas de sustentação do tabuleiro superior.

Até esse estágio do cronograma, 46 das 68 estacas de fundação previstas já estavam cravadas no leito do rio, além de 36 dos 54 pilares concluídos. As estacas transferem a carga da estrutura para as camadas mais profundas do terreno fluvial, enquanto os pilares sustentam os vãos que recebem as vigas e a pista de rolamento.

Além de vencer o rio, o projeto foi desenhado com um vão central navegável de 150 metros de largura, exigência técnica para assegurar a livre passagem das embarcações comerciais e tradicionais que navegam pela bacia hidrográfica sem risco de acidentes.

No lado alagoano, o DNIT executa serviços complementares de adequação e pavimentação das vias de acesso que farão a interligação direta da ponte com a malha rodoviária existente. Após o término da infraestrutura básica, restam etapas como concretagem, asfaltamento, sinalização, instalação de iluminação pública e dispositivos de segurança.

A mudança mexe de forma profunda com o cotidiano local. Atualmente, a ligação direta entre os dois municípios depende de embarcações que exigem filas, tarifas e rotinas atreladas aos horários das balsas, situação que encarece o frete de mercadorias e limita o deslocamento dos moradores.

Com a pista contínua por via terrestre, a expectativa recai sobre a melhoria da circulação regional, o abastecimento de feiras e comércios locais e o fomento ao turismo histórico e cultural compartilhado entre Alagoas e Sergipe.

O cumprimento do prazo de conclusão, marcado para o fim de 2026, depende do ritmo das etapas remanescentes e das condições operacionais das frentes de engenharia no rio ao longo dos próximos meses.

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista, fundador e editor do portal Fronteira Livre. Com vivência em diferentes países da América Latina e atuação voltada ao jornalismo territorial, dedica sua escrita à análise política, social e cultural das fronteiras, dos territórios e das realidades que marcam a vida dos povos latino-americanos.

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