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Randolfe acusa Nunes Marques de beneficiar Flávio Bolsonaro

Líder do governo aponta favorecimento a Flávio Bolsonaro e cobra que o tribunal mantenha tratamento igualitário entre as candidaturas.

Senador Randolfe Rodrigues afirmou à CartaCapital que conduta na presidência do TSE desequilibra a eleição. Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

Brasília, DF – O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso Nacional, acusou o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, de atuar de forma partidarizada para beneficiar a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência da República.

A crítica foi feita em entrevista à revista CartaCapital, publicada na terça-feira (13). O parlamentar afirmou que o magistrado age com alinhamento político em relação a Jair Bolsonaro, responsável por sua indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF) em 2020.

“Ele [Nunes Marques] está sendo leal a quem o nomeou. Sua atuação é partidarizada e desequilibra a eleição.”

A controvérsia tem como centro a gestão dos canais digitais de campanha, em especial o grupo de WhatsApp “Exército do Lula”. Criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), o espaço mobiliza milhões de apoiadores do presidente da República e pré-candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva.

Nunes Marques atendeu a uma ação da equipe jurídica de Flávio Bolsonaro e mandou suspender a comunidade. Horas depois, o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, revogou a ordem sob o argumento de que faltavam provas para sustentar uma medida tão ampla.

Na própria terça-feira, o presidente do tribunal determinou novamente o bloqueio do canal, estabelecendo que a liberação só ocorrerá após o cumprimento de exigências de registro eleitoral.

O choque direto entre Nunes Marques e Cueva expôs uma fissura na cúpula da Corte. Diante da divergência de critérios, o corregedor pediu que o plenário examine o caso com urgência, para que os ministros decidam coletivamente os limites de intervenção sobre ferramentas de comunicação política.

As queixas do líder do governo reforçam a posição do próprio Lula, que declarou publicamente que a presidência da Justiça Eleitoral não pode ter lado na corrida eleitoral. A interlocutores e ao Judiciário, a campanha petista aponta tratamento desigual na tramitação dos processos.

A equipe de Lula alega que há demora ou recusa sistemática em conter postagens favoráveis a Flávio Bolsonaro. Em contrapartida, os advogados do senador sustentam que suas representações servem unicamente para barrar notícias falsas e distorções durante o pleito.

A disputa atinge o núcleo das regras eleitorais a poucos dias do segundo turno, marcado para 25 de outubro. A decisão que o plenário tomará servirá como teste para a imparcialidade do tribunal e para a segurança jurídica de ambas as candidaturas no uso das redes.

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista, fundador e editor do portal Fronteira Livre. Com vivência em diferentes países da América Latina e atuação voltada ao jornalismo territorial, dedica sua escrita à análise política, social e cultural das fronteiras, dos territórios e das realidades que marcam a vida dos povos latino-americanos.

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