FOZ DO IGUAÇU, PR — No próximo sábado, dia 17, a região que conecta o Brasil, a Argentina e o Paraguai será o palco do IV Fórum Social e Popular da Tríplice Fronteira. O encontro virtual reúne 40 entidades e movimentos sociais do território para debater os desafios dos direitos humanos no Fórum na Tríplice Fronteira.
A grande referência do evento será a participação especial do ativista, arquiteto e escultor argentino Adolfo Pérez Esquivel, laureado com o Prêmio Nobel da Paz em 1980. Por razões de segurança sanitária no contexto da pandemia, todas as plenárias e mesas de debate serão transmitidas exclusivamente em formato digital, garantindo o acesso público e a articulação comunitária transfronteiriça.
O papel do Fórum Social e Popular no território
O Fórum Social e Popular da Tríplice Fronteira constitui um espaço autônomo, democrático e plural de articulação entre movimentos populares, sindicatos, organizações não governamentais, acadêmicos e defensores dos direitos humanos das cidades de Foz do Iguaçu, no Brasil, Puerto Iguazú, na Argentina, e Ciudad del Este, no Paraguai.
Nascido do espírito do Fórum Social Mundial, o Fórum na Tríplice Fronteira tem como meta central promover a integração dos povos acima das barreiras geográficas e burocráticas impostas pelos Estados. Suas diretrizes fundamentais focam na construção de respostas coletivas para os problemas históricos da região de fronteira.
Entre as pautas prioritárias estão o combate à desigualdade social, o combate à violência de gênero e a denúncia contra o preconceito e a discriminação que atingem as populações vulneráveis na tríplice linha divisória.
A proteção socioambiental também figura no centro dos debates do fórum, com destaque para a preservação e a defesa dos recursos naturais compartilhados no ecossistema regional, a exemplo da Bacia do Rio Paraná e do Aquífero Guaraní.
Além disso, a busca por soberania popular e pela integração real dos povos impulsiona o desenvolvimento de estratégias comunitárias que fortaleçam a identidade cultural e a cidadania na América Latina.
Quem é Adolfo Pérez Esquivel e sua trajetória
Nascido em Buenos Aires em 1931, Adolfo Pérez Esquivel consolidou-se como uma das figuras mais proeminentes na história da defesa dos direitos humanos e da resistência não violenta no continente latino-americano.
Formado pela Escola Nacional de Belas Artes e pela Universidade Nacional de La Plata, Esquivel exerceu a docência como professor de arquitetura e escultura por diversos anos. Na década de 1960, iniciou sua caminhada no ativismo comunitário a partir do trabalho com organizações cristãs de base e movimentos sociais populares.
Em 1974, ao lado de bispos, teólogos, sindicalistas, militantes e líderes comunitários, fundou o Serviço Paz e Justiça na América Latina (SERPAJ-AL). A organização tornou-se uma referência na difusão da não violência ativa e na denúncia sistemática contra as atrocidades cometidas pelas ditaduras militares latino-americanas.
Por conta de sua firme atuação em defesa da vida e da justiça social, Pérez Esquivel foi perseguido, preso sem julgamento em 1977 pelo regime militar argentino e submetido a torturas durante os 14 meses em que permaneceu encarcerado. Mesmo na prisão, manteve sua voz ativa na denúncia sobre os desaparecidos políticos.
O reconhecimento internacional ao seu trabalho humanitário veio em 1980, quando recebeu o Prêmio Nobel da Paz. Ao aceitar a láurea entregue pelo Comitê Nobel Norueguês, Esquivel fez questão de dedicá-la aos trabalhadores, camponeses, povos indígenas e a todos os despossuídos da América Latina que lutavam por dignidade e liberdade.
SERVIÇO:
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Encontro virtual do IV Fórum Social e Popular da Tríplice Fronteira com Adolfo Pérez Esquivel.
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Sábado, dia 17, às 17h (horário do Brasil e da Argentina) e às 16h (horário do Paraguai).
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Transmissão online aberta pelas redes sociais das entidades organizadoras.
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Gratuito.
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Acesso livre sem necessidade de inscrição prévia.
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Organizações integrantes do SERPAJ-AL e movimentos sociais da Tríplice Fronteira.



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