V Fórum Social e Popular da Tríplice Fronteira ouve denúncias de violência na América Latina

V Fórum Social e Popular da Tríplice Fronteira ouve denúncias de violência na América Latina

Organizações de vários países da América Latina reunidas no primeiro dia do Fórum Social e Popular da Tríplice Fronteira. Amilton Farias/Fórum Social da Tríplice Fronteira.
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Representantes de diversas organizações sociais discutiram a situação da fronteira e de outros países do Cone Sul. Amilton Farias/Fórum Social da Tríplice Fronteira.

Violência contra mulheres e legislação antiterrorista

A abertura do fórum também foi marcada por um painel de denúncias sobre a precarização do trabalho e a escalada da violência de gênero na América Latina e no Caribe. Com base em dados do Observatório da Igualdade de Gênero da América Latina e do Caribe (OIG), vinculado à Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), os participantes destacaram que a região registrou ao menos 4.050 vítimas de feminicídio em 26 países e territórios ao longo de 2022 — uma média de uma morte violenta por razões de gênero a cada duas horas.

Outro ponto de forte convergência entre os sindicatos e movimentos de classe foi o repúdio aos projetos de leis antiterroristas apresentados por governos neoliberais da região. As entidades denunciaram que tais propostas legislativas não miram o combate efetivo ao crime ou a ameaças reais, mas funcionam como instrumentos jurídicos para criminalizar o direito de greve, sufocar a livre manifestação e punir protestos contra o corte de políticas públicas.

Mulheres denunciaram os diversos tipos de violência contra a mulher, o machismo estrutural e o racismo. Amilton Farias / Fórum Social da Tríplice Fronteira.

Impacto na infância e apoio de entidades fronteiriças

A situação da infância e da juventude encerrou os primeiros trabalhos com dados apresentados por adolescentes e entidades que citaram balanços da Unicef. A denúncia aponta que quase dois em cada três meninos e meninas de 1 a 14 anos sofrem disciplina violenta em seus lares, enquanto a taxa regional de homicídios entre adolescentes de 10 a 19 anos atinge 12,6 por 100 mil habitantes, patamar quatro vezes superior à média mundial. Somado a isso, o trabalho infantil atinge cerca de 8,2 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos na América Latina e no Caribe, sendo 48,7% concentrados no setor agrícola e mais da metade submetida a tarefas de alto risco, perpetuando o ciclo de evasão escolar e pobreza.

O fórum segue com atividades na faixa de fronteira, reunindo o suporte de entidades brasileiras como o Coletivo NOSOTROS, o ANDES-SN Regional Sul, o Sindicato dos Docentes da Unila (SESUNILA) e o Núcleo Regional da APP-Sindicato de Foz do Iguaçu, consolidando uma rede de apoio que busca pressionar os governos da região por políticas sociais efetivas.

Jovens e adolescentes debatem direitos e denunciam diversos tipos de violência infantojuvenil. Foto: Amilton Farias / Fórum Social da Tríplice Fronteira.

SERVIÇO:

  • V Fórum Social e Popular da Tríplice Fronteira, espaço de debates promovido por movimentos sociais, ONGs e sindicatos.

  • Encontros temáticos até este sábado, dia 12.

  • Ciudad del Este, Paraguai (região de fronteira com Foz do Iguaçu, Brasil).

  • Atividade pública e gratuita.

  • Acompanhamento presencial nos debates dos eixos temáticos ou via cobertura dos sindicatos apoiadores.

  • Apoio institucional de entidades da fronteira como APP-Sindicato Foz do Iguaçu, SESUNILA, ANDES-SN e Coletivo NOSOTROS.


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