CIUDAD DEL ESTE, PARAGUAI — Organizações populares da Argentina, do Brasil e do Paraguai reúnem-se nos dias 11 e 12 de abril, no espaço Añua Roga, em Ciudad del Este, para a realização do V Fórum Social e Popular da Tríplice Fronteira. A iniciativa busca fortalecer a integração entre os povos latino-americanos e estruturar frentes comunitárias de resistência contra a militarização, a exploração predatória de recursos naturais e as sucessivas violações de direitos fundamentais na região de fronteira.
Com a presença confirmada de dezenas de movimentos e entidades de base dos três países, o encontro resgata a trajetória de mobilização iniciada há duas décadas. O histórico começou em 2004, com o primeiro fórum em Puerto Iguazú, seguido pela edição de 2006 em Ciudad del Este. Nesses encontros inaugurais, as pautas prioritárias foram o combate à presença militar estrangeira e a defesa do Aquífero Guarani, um dos maiores reservatórios de água doce do planeta.
Após a reativação da articulação em 2012, impulsionada pelos impactos do golpe político no Paraguai, a iniciativa consolidou-se como espaço permanente de diálogo e ação. O movimento teve continuidade na edição de Foz do Iguaçu, em 2016, e no encontro virtual de 2021, que reuniu representantes de 54 organizações.
Integração popular e soberania regional
A nova edição visa dar sequência às lutas históricas do território fronteiriço, mantendo viva a memória de resistência contra ditaduras militares e modelos neoliberais. A proposta central é erguer uma rede permanente de movimentos sociais para articular alternativas que atendam diretamente às demandas de quem vive e trabalha nas cidades de fronteira, transformando a região em um ponto focal de cooperação regional.
A cooperação internacional quer criar mecanismos práticos de apoio mútuo e comunicação direta entre as entidades brasileiras, argentinas e paraguaias. O objetivo é atuar em conjunto contra ameaças recorrentes, como os despejos de comunidades, a criminalização da militância e a perda de direitos sociais, fundamentando a atuação no respeito e na solidariedade.
Além dos debates locais e regionais, a plenária vai monitorar o cenário político internacional. O fórum incluirá em suas discussões a solidariedade a povos sob instabilidade ou conflito geopolítico, dedicando momentos de debate à situação do Peru, da Venezuela, de Cuba e da Palestina.
Oficinas práticas e encaminhamentos
A programação do evento estende-se por dois dias inteiros de trabalho. Na sexta-feira, 11 de abril, as atividades começam às 8h com o credenciamento e o painel de abertura às 9h. A partir das 9h30, acontecem as mesas de trabalho focadas em direitos humanos, igualdade de gênero e educação popular. Após o almoço comunitário às 13h, o dia encerra-se com plenária e atividades culturais às 16h30.
No sábado, 12 de abril, os trabalhos iniciam com café da manhã às 7h, seguido por oficinas práticas às 9h e pela plenária de propostas às 11h30. A assembleia geral de encerramento ocorre às 14h30, culminando na cerimônia final às 16h. A mobilização conta com o apoio de entidades como a Fundação NOSOTROS, ANDES Regional Sul, SESUNILA e APP-Sindicato Foz do Iguaçu.
SERVIÇO E TRANSPARÊNCIA PÚBLICA:
-
O que é: V Fórum Social e Popular da Tríplice Fronteira
-
Quando: 11 e 12 de abril (Sexta-feira a partir das 08h e Sábado a partir das 07h)
-
Onde: Espaço Añua Roga — Ciudad del Este, Paraguai
-
Quanto custa: Gratuito (alimentação gratuita com contribuições voluntárias aceitas)
-
Como participar / Reservar: Inscrição prévia via formulário online (garante vaga de pernoite comunitário para até 100 pessoas)
-
Atendimento / Contato: Organização do Fórum e entidades apoiadoras (Fundação NOSOTROS, ANDES Regional Sul, SESUNILA e APP-Sindicato Foz do Iguaçu)















