Escola Arandu Rape fortalece a integração dos povos da Tríplice Fronteira

Escola Arandu Rape fortalece a integração dos povos da Tríplice Fronteira

Iniciativa reúne educadores populares e organizações do Paraguai, Brasil e Argentina para impulsionar a formação comunitária, a agroecologia e a soberania alimentar.

Escola de Educadores Populares Camponeses Arandu Rape
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Cidade do Leste, Paraguai – Com a participação de educadores e educadoras populares, lideranças comunitárias, jovens e representantes de organizações camponesas e sociais do Paraguai, Brasil e Argentina, está sendo realizada, em Cidade do Leste, a Escola de Educadores Populares Camponeses Arandu Rape (“Caminho da Sabedoria”, em guarani), uma iniciativa surgida a partir das bases organizadas da Tríplice Fronteira para fortalecer a formação política, pedagógica e organizativa das comunidades populares.

A escola foi criada em abril de 2025, durante o V Fórum Social e Popular da Tríplice Fronteira, como resposta à necessidade de estabelecer um espaço permanente de formação de educadores e educadoras comprometidos com as lutas camponesas, a soberania alimentar, a defesa do território e a construção de alternativas diante do modelo de exclusão, desigualdade e concentração de terras.

Entre as organizações responsáveis pela iniciativa estão a Associação de Mulheres Camponesas (AMUCAP), o Movimento Agrário e Popular (MOAPA), a Associação de Produtores e Técnicos Rurais (APYTERE), a Coordenadora Nacional de Crianças e Adolescentes Trabalhadores (CONNATS), a organização Callescuela, o Movimento Pedagógico de Libertação (MPL), da Argentina, e o programa de pós-graduação PPGICAL, da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA).

Escola de Educadores Populares Camponeses Arandu Rape

Durante quatro dias de atividades intensivas, os participantes desenvolvem oficinas sobre análise da realidade, educação popular, memória histórica, direitos humanos, agroecologia, organização comunitária e planejamento de ações nos territórios. A metodologia combina estudo coletivo com dinâmicas participativas, como cartografias sociais, linhas do tempo, teatro popular, grupos de trabalho e espaços de troca de experiências.

A Arandu Rape não é uma escola convencional. Sua proposta pedagógica parte das experiências e dos saberes das próprias comunidades, promovendo uma aprendizagem coletiva em que cada participante contribui a partir de sua história, de seu território e de sua prática organizativa. A escola inspira-se na tradição da educação popular latino-americana, no legado de Paulo Freire e nos princípios da cultura guarani, especialmente no teko porã, entendido como a busca pelo bem viver comunitário, e no jópoi, prática baseada na reciprocidade, na partilha e na solidariedade.

Entre seus principais objetivos estão a formação de educadores e educadoras populares capazes de fortalecer os processos organizativos em suas comunidades; a promoção da soberania alimentar e da agroecologia; a valorização da memória histórica das lutas camponesas e populares; o fortalecimento da identidade cultural e dos saberes ancestrais; e a articulação de experiências de formação entre organizações do Paraguai, Brasil e Argentina.

Um dos aspectos mais significativos desta edição é a participação de representantes dos três países que compõem a Tríplice Fronteira. Para as organizações organizadoras, a integração regional não pode se limitar a acordos econômicos ou comerciais, mas deve ser construída a partir dos povos, por meio da cooperação, da troca de experiências e da defesa conjunta dos direitos, dos territórios e da vida.

Escola de Educadores Populares Camponeses Arandu Rape

Nesse espaço convivem o espanhol, o português e o guarani como expressão de uma diversidade cultural que fortalece o diálogo e o aprendizado mútuo. A escola demonstra que as fronteiras podem se transformar em lugares de encontro, onde os povos constroem respostas coletivas para desafios comuns, como o avanço do agronegócio, as desigualdades sociais, a violência de gênero, a negligência em relação aos direitos de crianças e adolescentes, a crise ambiental e a defesa da soberania dos povos.

As organizações participantes também manifestaram o compromisso de consolidar uma rede permanente de educação popular na Tríplice Fronteira, promovendo intercâmbios entre comunidades, a produção coletiva de materiais pedagógicos e novos espaços de formação capazes de fortalecer a organização popular na região.

A Escola de Educadores Populares Camponeses Arandu Rape representa hoje uma experiência concreta de integração latino-americana construída a partir das bases sociais, na qual a educação popular se transforma em uma ferramenta para fortalecer a organização comunitária, o diálogo entre culturas e a construção de alternativas voltadas ao teko porã, o bem viver dos povos.

Como resumiram os participantes durante uma das jornadas de trabalho:

“A sabedoria se transforma em caminho quando é compartilhada. Somente caminhando juntos, com memória, organização e solidariedade, poderemos construir um futuro digno para nossos povos.”


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