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1,4 mil trabalhadores da Amazon no DF vencem abuso de 12h em pé

Medida judicial fixa regras de descanso e veta pressão sobre contratos temporários para abrir mão do repouso semanal no DF

Trabalhadores eram submetidos a até 12 horas contínuas em pé no complexo no DF. Foto: Divulgação.

Santa Maria, DF – A Justiça do Trabalho determinou que o centro de distribuição da Amazon em Santa Maria, no Distrito Federal, acabe com a rotina que obrigava trabalhadores a permanecer em pé por até 12 horas seguidas. A decisão atinge a operadora Ceva Logistics e protege cerca de 1,4 mil trabalhadores do complexo.

A medida atende a uma ação civil do Ministério Público do Trabalho (MPT-DF/TO), que flagrou jornadas extenuantes sem pausas, manuseio de caixas de até 22 quilos e movimentos repetitivos. Os trabalhadores também eram privados do descanso semanal em períodos de pico de vendas e tinham seus intervalos consumidos por filas de segurança interna.

Ao analisar os danos físicos causados pela operação, o juiz Claudinei da Silva Campos, da Vara do Trabalho do Gama, destacou o adoecimento provocado pelo ritmo imposto:

“A permanência em pé prolongada e estática é causa direta e notória de agravos musculoesqueléticos e vasculares graves, como varizes e lombalgias crônicas, expressamente catalogadas na Lista de Doenças Relacionadas ao Trabalho.”

A empresa foi obrigada a conceder dez minutos de descanso a cada 90 minutos de atividade em pé, fixar jornadas de oito horas diárias e assegurar repouso semanal remunerado após seis dias seguidos de serviço.

O tribunal também proibiu a coação sobre trabalhadores em contratos temporários para que abrissem mão de suas folgas:

“A solicitação da chefia imediata [de trabalho em dias de folga] reveste-se de coação indireta, pois a recusa sujeita o trabalhador ao receio fundado de retaliação e de descarte ao término do pacto temporário.”

Os intervalos de alimentação de uma hora e de 15 minutos para lanche agora só começam a contar após os trabalhadores passarem pelos detectores de metal e pelo registro de ponto:

“O tempo destinado às pausas alimentares vinha sendo substancialmente reduzido pelo tempo despendido em extensos deslocamentos internos e, primordialmente, na submissão obrigatória a filas de revista patrimonial em detectores de metais e eclusas de segurança antes do acesso aos refeitórios.”

A Ceva Logistics tem 15 dias úteis para aplicar as determinações. Se descumprir as regras de proteção aos trabalhadores, terá de pagar multa diária de R$ 10 mil, até o teto de R$ 200 mil.

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista, fundador e editor do portal Fronteira Livre. Com vivência em diferentes países da América Latina e atuação voltada ao jornalismo territorial, dedica sua escrita à análise política, social e cultural das fronteiras, dos territórios e das realidades que marcam a vida dos povos latino-americanos.

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