Lula abre oito pontos sobre Flávio após crise familiar e caso Master

Lula abre oito pontos sobre Flávio após crise familiar e caso Master

Presidente Lula lidera com 40% contra 28% do senador Flávio Bolsonaro, que amarga rejeição recorde de 57%, aponta Genial/Quaest.

 Foto: Reprodução das redes sociais.
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Brasília, DF – A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (15) mostra o presidente Lula (PT) com vantagem consolidada sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) a dois meses e 19 dias do primeiro turno. No cenário de segundo turno, Lula tem 45% das intenções de voto contra 37% de Flávio — diferença de oito pontos. Em junho, era 44% a 38%.

No primeiro turno, Lula lidera com 40%, seguido por Flávio com 28%. Os demais candidatos aparecem distantes: Ronaldo Caiado (PSD) tem 4%, Renan Santos (Missão) marca 3% e Romeu Zema (Novo) tem 2%. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, e o levantamento ouviu 2.004 eleitores entre os dias 10 e 13 de julho.

É a primeira pesquisa Quaest a captar os efeitos de dois eventos que marcaram as últimas semanas: a divulgação de vídeos em que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro expõe desavenças com o enteado Flávio, e a operação da Polícia Federal contra o senador Jaques Wagner (PT), aliado de Lula, no âmbito do caso Master.

O vídeo de Michelle Bolsonaro ainda não chegou a metade do eleitorado: 51% dos entrevistados disseram não saber do episódio. Entre os que sabem (49%), 45% consideram que Michelle acertou ao divulgar as críticas a Flávio. Apenas 38% acham que ela errou.

O estrago, porém, parece mais profundo do que a simples opinião sobre o vídeo. Entre os eleitores de direita não bolsonarista, 35% acham que Michelle acertou. Entre os bolsonaristas, 20% concordam com ela. Quando perguntados com quem concordam mais, 42% ficam do lado de Michelle contra 18% que apoiam Flávio.

“Toda essa confusão dentro da família acabou provocando uma reação que parece afastar o potencial eleitor independente do Flávio: diminuiu de 33% para 29% a percepção de que Flávio é mais moderado que sua família”, afirma Felipe Nunes, diretor da Quaest.

Os números de intenção de voto entre a direita não bolsonarista mostram o movimento. Flávio tinha 90% nesse segmento em abril. Caiu para 88% em maio, 82% em junho e agora marca 74%. Entre os bolsonaristas, também oscilou para baixo: de 97% em maio e junho para 91% agora.

Sobre a operação contra Jaques Wagner, 54% dos entrevistados disseram não estar sabendo. Entre os que conhecem o caso, 61% acreditam que o senador agiu de forma errada. Para 37%, a investigação afeta muito negativamente a campanha de Lula. Outros 25% avaliam que impacta um pouco e 22% acham que não causa efeito negativo.

Os dois principais candidatos são também os mais rejeitados. Flávio Bolsonaro atingiu 57% de rejeição — o maior índice entre todos os nomes testados. Lula tem 50%. Os demais candidatos ainda são amplamente desconhecidos: 44% não sabem quem é Caiado, 50% desconhecem Zema e 77% nunca ouviram falar de Renan Santos.

Lula lidera todos os quatro cenários de segundo turno testados. Contra Caiado, tem 45% a 36%. Contra Zema, 45% a 35%. Contra Renan Santos, 45% a 33%. A menor diferença é justamente contra Flávio.

Entre os eleitores independentes — cerca de um terço do eleitorado — Lula ampliou a vantagem: passou de 37% para 40% das intenções de voto contra Flávio entre junho e julho. O senador foi de 24% para 27%.

Aprovação do governo

Pela primeira vez desde dezembro de 2024, a aprovação ao governo Lula supera numericamente a desaprovação: 48% a 47%. A avaliação positiva do presidente é de 36%, a negativa também de 36% e a regular de 26%.

Apesar disso, 51% dos entrevistados consideram que Lula não deveria ter um novo mandato. Outros 45% acham que ele merece mais quatro anos.

Com 65% dos eleitores afirmando que a decisão de voto é definitiva e 35% ainda podendo mudar de ideia, a eleição de outubro tem um desenho claro nas pontas, mas um eleitorado volátil no meio do caminho — e dois candidatos que, juntos, concentram mais da metade do país entre os que não votariam neles de jeito nenhum.


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