Projeto em Foz integra articulação nacional da agroecologia e fortalece protagonismo feminino

Projeto em Foz integra articulação nacional da agroecologia e fortalece protagonismo feminino

Experiência desenvolvida na Vila C Velha recebeu representantes de movimentos agroecológicos de várias regiões do país

Plantio simbólico de sementes crioulas marcou visita técnica à horta agroflorestal. Foto: Divulgação;
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Foz do Iguaçu (PR) — A horta agroflorestal implantada na Vila C Velha, em Foz do Iguaçu, tornou-se nesta terça-feira (19) um dos pontos de encontro da articulação nacional da agroecologia brasileira. O espaço, desenvolvido pelo projeto Rumos Cidadania Criativa, recebeu representantes de movimentos populares, organizações comunitárias e coletivos ligados à produção sustentável durante a programação da Plenária Nacional da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), realizada no Oeste do Paraná.

A experiência iguaçuense passou a integrar uma das sete rotas organizadas pela ANA, movimento que reúne iniciativas ligadas à agroecologia, soberania alimentar, tecnologias sociais, economia solidária e fortalecimento comunitário em diferentes regiões do país.

As caravanas percorrem 11 municípios paranaenses entre os dias 18 e 22 de maio, conectando mais de 40 experiências voltadas à sustentabilidade, agricultura urbana, organização popular e preservação ambiental. A programação também prepara o caminho para o 5º Encontro Nacional de Agroecologia (ENA), previsto para acontecer em 2027, em Foz do Iguaçu.

A experiência desenvolvida na Vila C Velha nasce da combinação entre agroecologia, formação comunitária e fortalecimento da autonomia das mulheres nos territórios periféricos da cidade.

O terreno utilizado para a implantação da horta agroflorestal estava abandonado antes da chegada do projeto. Hoje, o espaço funciona como ambiente coletivo de aprendizagem, convivência comunitária e produção sustentável, articulando oficinas de permacultura, segurança alimentar e sustentabilidade.

Troca entre territórios populares

Mais do que o cultivo de alimentos, a proposta busca fortalecer vínculos sociais, estimular a ocupação comunitária do território e ampliar alternativas econômicas e formativas para mulheres atendidas pelo projeto.

“Uma das rotas é a nossa, com a experiência da horta agroflorestal vinculada ao Rumos. Trabalhamos agroecologia no território a partir da capacitação de mulheres, da permacultura e também da parceria com a gastronomia”, destacou Adrielle Chicere, oficineira de Permacultura e Sustentabilidade.

Durante a visita, representantes de diferentes movimentos conheceram o espaço agroflorestal, murais de grafite produzidos pelo projeto e acompanharam apresentações do Cine Verde em Bici, iniciativa transfronteiriça de cinema itinerante voltada à educação ambiental.

A programação também incluiu almoço coletivo preparado pelas próprias participantes das oficinas de gastronomia do projeto, valorizando alimentos regionais e saberes populares ligados à cultura alimentar da fronteira.

A pescadora artesanal Mirelle Gonçalves, integrante do Movimento Feminino da Pesca Artesanal de Pernambuco, destacou a importância da troca entre mulheres de diferentes territórios brasileiros.

“Conhecemos a agrofloresta e a importância da união das mulheres dentro do projeto de capacitação, que traz qualidade de vida para o território. Essa troca de experiências entre diferentes regiões é muito importante para fortalecer as mulheres e as comunidades”, afirmou.

A presença da ANA em Foz do Iguaçu também amplia o debate sobre modelos alternativos de desenvolvimento em uma região historicamente marcada por disputas territoriais, expansão urbana acelerada e impactos socioambientais ligados às grandes obras e à fronteira internacional.

Formação comunitária e economia criativa

O Rumos Cidadania Criativa é desenvolvido pelo Projeto Aprendendo a Viver, com apoio da Itaipu Binacional, e atua em diferentes comunidades de Foz do Iguaçu por meio de oficinas gratuitas ligadas à sustentabilidade, economia criativa e formação comunitária. As atividades acontecem em bairros periféricos, entidades comunitárias, projetos sociais e também na Penitenciária Feminina de Foz do Iguaçu.

Hoje, o projeto mantém ações no Conselho Comunitário da Vila C, Associação de Moradores da Vila C, Arroio Dourado, Bubas, Jardim Jupira, Clube de Mães do Carimã, Projeto Um Chute para o Futuro e outras iniciativas sociais da cidade.


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