*Por Isel Talavera
Há dias estava impressionada com a força e a potência da natureza!
Admirava o espetáculo de brotos, folhinhas nascendo.
Instante a instante, esta flor, com sua presença, me inspirava poesia, entusiasmo e vigor!
Eis a flor representante do nosso ‘I Tablado Flamenco’: a rosa vermelha, vibrante flamenca.
Esta rosa, após retirada do roseiral, transportada de algum lugar desconhecido, passou por muitas mãos até chegar ao seu local de oferecimento: no solo firme feito fagulha, após atritos do sapato contra a madeira, que desencadeiam pulsação e sorrisos dos espectadores atentos. Este solo: o tablao. Este botão aberto, após semanas do show, sussurra e me convida a uma conversa. Esta rosa que se encontra íntegra, inteira e esplêndida mostra muito em sua profundidade, alcance e permanência.
Hoje, continua emanando sua fragrância, brotos e perfume, na esperança de quem sabe se tornar uma roseira.
Esta rosa mostra uma sabedoria ainda mais luminosa: um dia ela foi plantada, esperada e acolhida, tal como nossa Ana Galeano planta a paixão pelo Flamenco em nossos espíritos!
Em nossas conversas, sempre concordamos que o flamenco é ‘um caminho sem volta’, pois quem é tocado por esta arte, patrimônio imaterial da humanidade, permanece para sempre neste sendeiro.
Assim, esta rosa conversa comigo: certo dia, colhida e transportada para Foz do Iguaçu, seu rubro vibrante, tal qual os vestidos das bailaoras Ana e Sena, penetrariam veementemente no palpitar de cada ser presente no tablado.
Esta rosa, escolhida por Fabíola, entregue por Cirlene, desenhada por Hérica, dançada por Laura e acariciada por Mari, é a flor representante deste instante eterno do amor pelo Flamenco.
Entregamos essas pétalas cor de fogo na madeira sagrada do tablado. Pois isso nos mostrou a Maestra Liz: deixar um regalo ao palco que ecoou os sons, firmou sapateados e refugiou o entusiasmo regado pelas labaredas acesas das nossas almas em movimento. Já Amira e Emilio, mestres do cante e violão de origem gitana, entoaram a estas pétalas incandescentes as melodias que sacodem nosso íntimo, nossas raízes!
Sim, ainda preciso falar do tablado que acolheu essa rosa viva e pulsante: certa vez, a Ana me disse que o tablao representa a vida: lá sapateamos nossas emoções e alegrias, como também as tristezas e os obstáculos. Logo a alquimia começa e transformamos tudo em baile, arte. Transmutamos dificuldades, dor e obstáculos em paixão: demonstração de que o ardor do corpo pelo Flamenco se transforma em cura. Ora, loucura de prazer, de motivação incessante por passos que transmitem o silêncio, a vida e marcam cada golpe dado no tablado em códigos de beleza indescritíveis: não é à toa que realmente é patrimônio da nossa humanidade.
Aqui estou eu, permitindo que a poesia passe pelo meu corpo e conectada a esta rosa flamejante que conversa comigo.
Compartilho esta foto, estes brotos surgindo e vendo a capacidade da natureza se tornar imortal: o segredo é o enraizamento!
Enraizar o propósito!
Enraizar a anelo!
Enraizar a vontade!
Enraizar à vontade…
Agora, vou acompanhá-la em outras esferas: tirá-la da água e plantá-la. Esperar que enraíze e continue sua missão eterna de existir vívida na mãe Terra.
Eis a metáfora e a beleza:
Que o flamenco brote, viva e reviva em muitos outros corações.
Que o flamenco crie estradas profundas, enraizadas em novos seres e que sejam movidos por esta arte.
E certamente acontecerá: porque, a depender do âmago que pulsa flamenco no interior da Ana, esta arte criará raízes intensas e eternas a germinar e florescer neste espetáculo de rosa e de vida que compartilhamos.
Isel Talavera
É poetisa, cultiva uma conexão extremamente sensível com a palavra
Junho de 2026





















