Brasília, DF – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o mandatário dos Estados Unidos, Donald Trump, já comunicou a diferentes interlocutores que não pretende interferir nas eleições do Brasil, marcadas para outubro. A declaração foi dada em entrevista à jornalista Christiane Amanpour, da CNN, nesta segunda-feira (21), momento em que o chefe do Executivo brasileiro relatou ter pedido diretamente a Washington que respeite a soberania do processo eleitoral para preservar a relação diplomática histórica entre os dois países.
“Ele já disse para muita gente, para muita gente, sabe, que ele não vai se envolver nas eleições brasileiras. E é bom que seja assim. É bom que seja assim”, disse Lula durante a entrevista. “É esse o papel que eu espero de um presidente da República. Esse é o meu comportamento”, continuou. O presidente defendeu a autonomia de cada país na escolha de seus governantes: “As eleições dos Estados Unidos é um problema do povo americano. Quem ganha é ela e quem perde é ela. As eleições do Brasil é um problema do Brasil. Quem ganha é ela e quem perde é ela”.
Segundo Lula, o pedido para que o governo norte-americano não tome parte na disputa eleitoral visa proteger uma parceria construída ao longo de séculos. “Eu já disse ao presidente Trump: é o seguinte, é muito importante que os Estados Unidos não se metam nas eleições do Brasil”, afirmou o petista. “É muito importante, porque nós temos uma relação diplomática de 203 anos, é uma relação muito sólida e o Brasil não é um país anti-americanista. O Brasil tem uma relação muito sofisticada com os Estados Unidos. E eu já disse: “É importante que vocês não se metam nas eleições do Brasil, como eu não me meto nas eleições de vocês”.
Além de abordar a postura de líderes estrangeiros, Lula declarou que acompanha com preocupação o uso de novas tecnologias na disputa política. Ele disse já haver indícios do uso de inteligência artificial em ações voltadas a interferir nas campanhas eleitorais, embora tenha ressaltado que, por enquanto, o caso se mantém no campo das suspeitas.
O debate sobre a segurança do processo democrático ocorre em meio a alertas dos órgãos de segurança brasileiros. No fim de agosto, um relatório elaborado pela Abin (Agência Brasileira de Inteligência) foi entregue ao Palácio do Planalto, ao Ministério da Justiça e ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral). O documento aponta que a probabilidade de influência dos Estados Unidos nas eleições de outubro aumentou, atingindo o que a agência classificou como “nível de criticidade”.
Com base na análise de documentos oficiais do governo norte-americano produzidos entre novembro de 2025 e maio de 2026, a inteligência brasileira constatou uma tendência de escalada de pressão sobre o Brasil, marcada por uma intensificação seletiva e uma reconfiguração da pressão política e diplomática exercida por Washington.



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