Foz do Iguaçu, PR – A Mesquita Omar Ibn Al-Khattab iniciou uma série de conteúdos voltada à imprensa e à população para ampliar o conhecimento sobre o Islam, combater a islamofobia e desconstruir estereótipos associados à comunidade árabe e muçulmana. A primeira publicação aborda a pergunta: “Por que o Islam é a religião que mais cresce no mundo?”. As próximas edições tratarão do papel da mulher no Islam, de mitos relacionados à cultura árabe e da cooperação entre diferentes religiões na Tríplice Fronteira.
A iniciativa pretende aproximar a instituição da sociedade por meio de informações sobre a religião islâmica, sua história e seus princípios. Segundo a mesquita, a proposta é ampliar os espaços de diálogo e apresentar aspectos da fé muçulmana frequentemente confundidos com costumes regionais ou posicionamentos políticos. A instituição também pretende mostrar a relação entre os ensinamentos islâmicos, a paz, a justiça social e a fraternidade entre os povos.
Foz do Iguaçu abriga uma das maiores comunidades árabes e muçulmanas da América Latina. A presença dessa população faz parte da formação multicultural da cidade, onde diferentes tradições religiosas e culturais convivem na região de fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina.
Para o presidente da Mesquita Omar Ibn Al-Khattab, Mohamed Beha Rahal, a série dá continuidade ao trabalho da instituição na promoção do diálogo e da convivência entre diferentes comunidades.
“Foz do Iguaçu e a Tríplice Fronteira são referências mundiais de convivência pacífica e respeito à diversidade. Ao lançarmos este projeto, nosso objetivo institucional é expandir esse modelo de harmonia para além das nossas fronteiras geográficas. A mesquita não é apenas um local de oração, mas um centro de acolhimento e difusão de conhecimento. Queremos oferecer à sociedade informações autênticas e transparentes sobre o Islam, demonstrando como nossos valores de solidariedade e fraternidade universal fortalecem o tecido social e o turismo cultural da nossa cidade”, afirmou Rahal.
Crescimento do Islam é tema da primeira publicação
O primeiro conteúdo da série discute a expansão do Islam em diferentes partes do mundo. A publicação parte de dados demográficos internacionais sobre o crescimento da população muçulmana e procura explicar os fatores que, na avaliação das lideranças religiosas da comunidade, ajudam a compreender esse movimento.
O Sheikh Oussama El Zahed, líder religioso da comunidade muçulmana de Foz do Iguaçu, relaciona o crescimento da religião à busca por espiritualidade, pertencimento e orientação em um período de incertezas.
“O crescimento do Islam não se dá pela força, mas pela beleza de sua simplicidade e pela clareza de sua mensagem. O Islam prega a submissão voluntária a Deus e a paz entre as criações. As pessoas hoje buscam uma conexão espiritual direta, disciplina e um senso real de comunidade. Quando o preconceito é deixado de lado e as pessoas passam a conhecer o verdadeiro Islam, elas encontram um porto seguro de respeito, caridade e amor ao próximo. Nossa missão aqui é construir pontes, nunca muros”, disse El Zahed.
Conhecimento como resposta à islamofobia
Outro eixo da iniciativa é o enfrentamento da islamofobia e das associações equivocadas entre a religião islâmica, determinadas tradições culturais e conflitos políticos. A mesquita considera que a falta de informação contribui para a reprodução de preconceitos contra muçulmanos e pessoas de origem árabe.
O professor de religião da instituição, Munzer Isbelle, afirma que a educação religiosa e histórica pode ajudar a esclarecer essas diferenças. Ele chama atenção para a necessidade de não confundir práticas culturais de determinadas regiões com os princípios da fé islâmica.
“Muitas pessoas confundem tradições culturais regionais ou atos políticos isolados com a doutrina islâmica, o que é um erro grave. O Islam é uma fé universal. Quando explicamos a lógica teológica, os direitos que a religião garantiu às mulheres desde o século VII, o incentivo à ciência e a obrigação da caridade, as mentes se abrem. O Islam cresce porque responde aos anseios da alma e acolhe todas as etnias de forma igualitária. Na mesquita, nosso papel é ensinar para incluir, transformando o desconhecimento em respeito mútuo”, explicou Isbelle.
A discussão sobre os direitos das mulheres no Islam também estará entre os assuntos das próximas publicações. A proposta é apresentar aspectos históricos e religiosos da condição feminina na tradição islâmica, além de abordar interpretações e percepções que circulam sobre o tema.
Série terá participação aberta à comunidade
A Mesquita Omar Ibn Al-Khattab convida jornalistas, estudantes, pesquisadores, formadores de opinião e moradores de Foz do Iguaçu e das cidades vizinhas a conhecerem o espaço e acompanharem os novos conteúdos.
Além da discussão sobre o papel da mulher no Islam, a programação prevê publicações sobre os mitos relacionados à cultura árabe e as experiências de cooperação inter-religiosa na Tríplice Fronteira.
Com a iniciativa, a instituição busca ampliar o acesso a informações sobre a religião muçulmana e criar oportunidades de aproximação entre pessoas de diferentes crenças. A proposta também reforça a atuação da mesquita como espaço religioso, de acolhimento e de difusão de conhecimento em Foz do Iguaçu.



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