Foz do Iguaçu, PR – O Parque das Aves realiza nesta terça-feira (4), a partir das 18h, mais uma edição do censo de papagaios-verdadeiros na região do Gramadão da Vila A. Aberta à comunidade, a iniciativa de ciência cidadã busca monitorar a população de aves que utiliza o espaço urbano como dormitório coletivo ao entardecer.
Esta é a terceira contagem promovida pelo parque ao longo de 2026. Nas edições anteriores, realizadas nos meses passados, os registros somaram 557 e 432 indivíduos, respectivamente, evidenciando a movimentação constante das aves na área urbana da fronteira.
“Cada censo representa uma oportunidade de compreender melhor a relação dos papagaios-verdadeiros com o ambiente urbano. As diferenças entre as contagens também são informações importantes, porque nos ajudam a observar como o comportamento dessas aves pode mudar ao longo do ano. E quando a comunidade participa, esse conhecimento deixa de ficar restrito às equipes técnicas e passa a fazer parte do cotidiano das pessoas, fortalecendo a conexão com a biodiversidade da cidade”, afirmou a gerente de Conservação do Parque das Aves, Marina Somenzari.
O monitoramento periódico revela que o Gramadão da Vila A abriga aves de diferentes origens, incluindo grupos que cruzam a fronteira a partir do Paraguai para pernoitar nas árvores locais. Durante o dia, esses animais se dispersam pela região em busca de alimento, retornando ao ponto de descanso coletivo no final da tarde.
“É importante entender que os papagaios não utilizam os mesmos espaços da mesma maneira durante todo o ano. Eles podem mudar seus deslocamentos conforme suas necessidades, e isso influencia a quantidade de indivíduos observados em cada censo. Quando a comunidade acompanha essas contagens, também tem a oportunidade de conhecer melhor o comportamento das aves e perceber como a observação da natureza pode contribuir para a conservação da biodiversidade”, explicou a supervisora pedagógica de Educação para Conservação, Luiza Araujo.
Os técnicos explicam que oscilações no número de aves registradas entre uma edição e outra não significam necessariamente uma redução populacional. Mudanças sazonais, como o período reprodutivo em que alguns exemplares permanecem próximos aos ninhos, alteram a distribuição dos bandos e a dinâmica de uso dos dormitórios na paisagem urbana.
A inclusão de moradores nas contagens públicas fortalece a vertente de ciência cidadã do projeto. A participação popular na coleta de dados práticos aproxima a sociedade da fauna silvestre que divide o território urbano, demonstrando que a conservação ambiental e a proteção da biodiversidade da Mata Atlântica também ocorrem fora das áreas de mata fechada.



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