Foz do Iguaçu, PR – As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos ganharam desdobramentos na indústria do entretenimento e nas redes sociais. A disputa entre republicanos e democratas tomou a imagem do personagem Chucky, da franquia de terror Brinquedo Assassino, após a rapper Nicki Minaj publicar no X (antigo Twitter) uma montagem gerada por inteligência artificial em que o boneco aparecia vestido de vermelho — cor simbólica do Partido Republicano.
A publicação feita pela cantora no dia da votação gerou reação imediata do cineasta Don Mancini, idealizador e criador de Chucky. Para contrabalançar a imagem divulgada por Minaj, que é apoiadora declarada do ex-presidente Donald Trump, Mancini postou uma arte em que o personagem veste roupas azuis, cor associada ao Partido Democrata, acompanhada de um posicionamento explícito sobre pautas sociais.
Ao recusar a apropriação de sua obra pela propaganda conservadora, o autor justificou a postura política do personagem com base no histórico da própria franquia de filmes e na oposição às políticas de repressão migratória e de ataque aos direitos civis.
“Chucky tem um filho trans. Chucky protege as bonecas. Chucky é contra o ICE. Chucky diz: ‘Uma onda azul está chegando, tão azul quanto os meus malditos olhos!’”
A declaração de Mancini faz referência direta a Glen/Glenda, personagem introduzido em O Filho de Chucky (2004) que se identifica como não binário e trans. Já a expressão em inglês “protects the dolls” (“proteja as bonecas”) é uma gíria acolhida na cultura LGBTQIA+ para reafirmar a defesa e o suporte a mulheres transgênero diante da violência sistemática.
Além do debate de gênero e diversidade, o cineasta colocou o personagem no centro da crítica ao sistema de controle populacional norte-americano ao citar o ICE (U.S. Immigration and Customs Enforcement). A agência federal de fiscalização migratória tornou-se o principal braço executor de deportações em massa e detenções abusivas de imigrantes nos Estados Unidos, pauta frequentemente denunciada por movimentos de direitos humanos.
Ao conectar a figura de um ícone do cinema de terror a denúncias contra o braço armado da imigração e à visibilidade trans, a manifestação de Mancini evidencia como o ambiente das redes e a cultura pop tornaram-se territórios de disputa política, onde até a inteligência artificial é usada para tensionar narrativas ideológicas em períodos eleitorais decisivos.



Deixe um comentário