Justiça Federal do Paraná condena três por lavagem de dinheiro em contratos da Petrobras em 2020

Justiça Federal do Paraná condena três por lavagem de dinheiro em contratos da Petrobras em 2020

Prédio-Sede da Justiça Federal do Paraná (Foto: Arquivo JFPR)
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A Justiça Federal do Paraná condenou três pessoas por envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro e corrupção ligado a contratos da Petrobras. A sentença, proferida pela 13ª Vara Federal de Curitiba, acatou parcialmente a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) em 2020. O caso envolve uma empreiteira ítalo-argentina e sua subsidiária brasileira, responsável pelo fornecimento de tubos de aço para a indústria petroquímica.

Os condenados, que ocupavam posições estratégicas no esquema, receberam penas que variam de seis a quase oito anos de prisão, em regime semiaberto. Além disso, deverão pagar multas em dias-multa, calculadas com base nos valores desviados.

De acordo com a decisão, o esquema utilizava contratos fraudulentos, empresas offshore e contas bancárias no exterior para movimentar e ocultar dezenas de milhões de dólares. As atividades ilícitas geraram repercussões socioeconômicas significativas, segundo o juiz federal substituto Guilherme Roman Borges, responsável pela sentença.

Condenações e esquema detalhado

Entre os condenados estão:

  • Um representante comercial, identificado como organizador dos pagamentos ilegais, condenado a seis anos, sete meses e cinco dias de prisão, além de 189 dias-multa.
  • Um empresário de empresa offshore, apontado como articulador das movimentações financeiras, condenado a sete anos, dois meses e 20 dias de prisão, mais dez dias-multa.
  • Uma empresária, que ocultou e movimentou os valores ilícitos, condenada a sete anos, nove meses e 22 dias de prisão, além de 250 dias-multa.

Segundo a sentença, os réus utilizaram uma “sofisticada estrutura de branqueamento de ativos”, que incluía contratos fictícios com empresas fantasmas no exterior. “As circunstâncias do delito destoam do normal à espécie, considerando-se o emprego de uma estrutura complexa para ocultar os valores”, afirmou o juiz.

Apesar das condenações, os réus poderão recorrer em liberdade, já que não foram presos durante o processo e não houve solicitação de prisão preventiva por parte do Ministério Público Federal.

Reparação de danos e bloqueio de bens

Além das penas de prisão, a Justiça determinou a reparação solidária de R$ 10.046.015,51, correspondente a 0,5% do valor dos contratos firmados entre a Petrobras e a empreiteira ítalo-argentina. O montante será revertido à Petrobras. O MPF havia solicitado reparação de 1% do valor dos contratos, mas o juiz optou por uma porcentagem menor, em linha com os documentos apresentados na denúncia.

A decisão também determinou o perdimento de bens adquiridos com recursos ilícitos, incluindo valores em contas offshore, investimentos, imóveis e obras de arte. Alguns desses bens já haviam sido alvo de sentença condenatória em outros processos da Operação Lava Jato.

O juiz ainda destacou que valores de aproximadamente US$ 1 milhão, depositados em contas de uma empresa offshore, não foram bloqueados e que caberá ao MPF solicitar a repatriação desses recursos ou o perdimento do equivalente em reais.

“Considerando que tais bens configuram produto e proveito dos crimes apurados na presente ação penal, decreto novamente seu perdimento”, afirmou o magistrado.

O caso reforça o impacto da corrupção em contratos públicos e a complexidade das redes de lavagem de dinheiro. A decisão da Justiça Federal do Paraná busca não apenas responsabilizar os envolvidos, mas também recuperar parte dos recursos desviados e proteger a integridade da Petrobras, uma das maiores empresas do Brasil.


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