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Guterres alerta na ONU para guerras e riscos sem freio da IA

Em seu último discurso de abertura, secretário-geral denunciou ataques a civis e cobrou responsabilização sobre novas tecnologias

Secretário-geral da ONU alerta governantes sobre impacto de conflitos armados e novas tecnologias. Foto: ONU/Reprodução

Nova York – O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, abriu nesta terça-feira (22) a 81ª Assembleia Geral da entidade com um diagnóstico direto sobre a escalada da violência armada no planeta, o desrespeito ao direito internacional e os perigos ligados à falta de controle sobre as novas tecnologias. Em seu último discurso de abertura no cargo — já que encerra em dezembro o segundo mandato de cinco anos —, o chefe da diplomacia mundial afirmou que a humanidade precisa encarar de frente quatro grandes testes: conflitos armados, desigualdade social, colapso climático e a rápida expansão da inteligência artificial.

Para Guterres, o avanço das guerras reflete um momento em que a força militar bruta atropela a diplomacia e os responsáveis pelas violações escapam sem punição. O secretário-geral chamou a atenção para o sofrimento imposto a populações vulneráveis, com ataques frequentes direcionados contra civis e equipes de ajuda humanitária. Ao tratar dos conflitos em curso no Oriente Médio, na Ucrânia, no Sudão e em Mianmar, ele argumentou que a violência nesses territórios não pode ser vista de forma isolada.

“Não estamos diante de crises separadas. Estamos diante de capítulos de uma mesma história: a história do poder — como ele é usado e como está mudando”, afirmou aos líderes mundiais reunidos na sede da ONU. Conforme explicou, o que acontece hoje nessas regiões mostra o estrago produzido quando governantes e grupos armados agem sem qualquer limite ou prestação de contas.

Ao abordar as transformações tecnológicas, Guterres incluiu a inteligência artificial entre as maiores ameaças caso continue a se expandir sem regulação internacional. Segundo o dirigente, a velocidade com que esses sistemas avançam já supera a capacidade humana de entender e antecipar suas consequências no cotidiano das pessoas e nas disputas geopolíticas.

“Mesmo aqueles que criaram a inteligência artificial dizem que estão ficando cegos diante dela”, alertou. O secretário-geral concluiu que o problema central não reside na inovação em si, mas na falta de regras e de limites éticos para quem a opera: “O perigo não é a tecnologia. O perigo é a tecnologia sem responsabilidade”. Diante desse quadro, Guterres cobrou dos governos compromissos concretos com transparência, cooperação e diálogo para evitar novos retrocessos humanitários.

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista, fundador e editor do portal Fronteira Livre. Com vivência em diferentes países da América Latina e atuação voltada ao jornalismo territorial, dedica sua escrita à análise política, social e cultural das fronteiras, dos territórios e das realidades que marcam a vida dos povos latino-americanos.

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