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Audiência pública discute impactos do novo Código Florestal do PR

Proposta do Palácio Iguaçu sofre críticas de pesquisadores por colocar interesses econômicos acima da ciência.

Vegetação de Mata Atlântica no Paraná, ecossistema sob ameaça com as propostas do PL 80/2026. Foto: Denis Ferreira Netto/SEDEST

Curitiba, PR – A Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) realiza nesta terça-feira (10), às 9h30, no Plenarinho, a audiência pública “Novo Código Florestal – Impactos do PL 80/2026 na política ambiental do Paraná”. A atividade debate o projeto de lei de autoria do Governo Ratinho Jr., que propõe reformular a legislação ambiental do estado.

Promovida pelos deputados estaduais Goura (PDT) e Arilson Chiorato (PT), a audiência busca discutir os impactos ambientais, sociais e econômicos do PL 80/2026. A proposta tem recebido duras críticas de pesquisadores, entidades socioambientais e organizações da sociedade civil.

O deputado Goura enfatiza que a política ambiental do estado não pode ser subordinada a interesses econômicos imediatos.

“Precisamos discutir a fundo esse projeto e seus impactos. Não podemos tratar a política ambiental como instrumento para atender interesses econômicos de curto prazo, ignorando a ciência, a emergência climática e a proteção dos nossos territórios. O Paraná precisa de um novo Código Florestal à altura dos desafios ambientais de hoje.”

Esta é a segunda vez que a Alep debate o texto do governo estadual. Em 26 de março, o parlamentar promoveu uma reunião pública voltada à análise técnica e científica do projeto.

A diferença entre as duas etapas está no alcance da discussão. A reunião de março concentrou especialistas e cientistas para uma avaliação jurídica e técnica da proposta. Agora, a audiência pública busca confrontar as posições de órgãos estaduais, setor produtivo, movimentos sociais e entidades civis sobre as mudanças pretendidas pelo governo.

Na visão de Goura, o projeto se aproxima mais de um código agrícola do que de uma legislação de proteção da natureza. Ele alerta para o risco de flexibilização das regras de preservação da vegetação nativa e para a ocorrência de conflitos com a legislação federal, em especial com a Lei da Mata Atlântica.

Os pareceres técnicos apresentados no debate prévio de março já sinalizavam sérias inconsistências no texto do PL 80/2026. As análises apontaram o enfraquecimento dos instrumentos de proteção, insegurança jurídica e desconsideração com a emergência climática.

Entre os problemas identificados estão alterações nas regras relativas às Áreas de Preservação Permanente (APPs), brechas nos procedimentos de validação do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e flexibilizações nas exigências de Reserva Legal.

Especialistas e movimentos sociais alertam ainda para as ameaças diretas aos territórios de povos e comunidades tradicionais, além de prejuízos ao solo e aos recursos hídricos. As mudanças podem acelerar processos de erosão, provocar o assoreamento de reservatórios e afetar a navegação nos rios paranaenses.

O governo do estado participa das discussões representado pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável (Sedest) e pelo Instituto Água e Terra (IAT). O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renvolvimento (Ibama) também integrará a mesa de debate.

A análise jurídica e técnica conta com representações formais do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR), do Conselho Regional de Biologia da 7ª Região (CRBio-07) e da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Paraná (OAB-PR).

A Universidade Federal do Paraná (UFPR) marca presença com quatro estruturas de pesquisa: o Grupo de Pesquisa e Extensão em Direito Socioambiental (EKOA), o Laboratório de Geografia, Ambiente e Movimentos Sociais (LAGEAMB), o Laboratório de Ecologia Vegetal e o Laboratório de Análise e Monitoramento da Mata Atlântica.

Na defesa da agricultura familiar e do meio ambiente, participam a Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Estado do Paraná (Fetaep), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS).

O setor patronal e o agronegócio estão representados pelas entidades do bloco G7: Faep, Fiep, Fecomércio-PR, Ocepar, Faciap, Fetranspar e a Associação Comercial do Paraná (ACP).

Diante do diagnóstico de retrocesso, movimentos populares e especialistas cobram a formulação de um substitutivo geral ao projeto. A meta é corrigir falhas técnicas e jurídicas e assegurar a preservação ambiental do Paraná frente aos desafios climáticos atuais.

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista, fundador e editor do portal Fronteira Livre. Com vivência em diferentes países da América Latina e atuação voltada ao jornalismo territorial, dedica sua escrita à análise política, social e cultural das fronteiras, dos territórios e das realidades que marcam a vida dos povos latino-americanos.

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