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Jornalista de Foz relata como a maternidade transformou sua vida

Lançamento será às 18h, na Paraná Decor, com a participação de 12 mulheres que compartilham suas trajetórias

A coletânea organizada por Estela Centurion será lançada no dia 21, às 18h, na loja Paraná Decor, em Foz do Iguaçu. Foto: Divulgação.

Foz do Iguaçu, PR – A jornalista iguaçuense Abilene Rodrigues lança, no próximo dia 21, o livro Mães Reais: Quando a maternidade não segue o roteiro – Doze Mulheres, Doze Verdades, Uma Só Coragem, ao lado de outras 11 mulheres que compartilham experiências distintas da maternidade. O evento será realizado às 18h, na loja Paraná Decor, em Foz do Iguaçu.

Abilene participa da coletânea com o capítulo “O Amor que Me Ensinou a Ser Livre”, no qual apresenta um relato autobiográfico sobre como a maternidade a levou a revisitar a própria infância, compreender sua história familiar e reconstruir, ao longo dos anos, a relação com os filhos Davi, de 13 anos, e Ana, de 10.

Pós-graduada em Neurociência, a jornalista aborda diferentes fases de sua trajetória: uma infância marcada pela sensação de não pertencimento, experiências difíceis que permaneceram em silêncio, responsabilidades assumidas ainda na adolescência e, posteriormente, a construção da própria família.

Ao revisitar essas lembranças, a autora reflete sobre como experiências vividas e padrões emocionais aprendidos ao longo da vida podem influenciar os relacionamentos, as escolhas na vida adulta e a maneira de exercer a maternidade.

O processo de escrita também exigiu que Abilene enfrentasse memórias que, até então, pouco havia compartilhado.

“Eu já escrevi o Pílulas para uma Vida Feliz e Produtiva, meu primeiro livro, mas esse, com certeza, me fez revisitar momentos difíceis da minha vida, que me ajudaram a entender quem sou hoje. Foi como abrir uma caixa preta que somente eu sabia o que tinha dentro”, conta a jornalista.

A maternidade e a reconstrução da própria história

No capítulo, a chegada dos filhos Davi e Ana aparece como um dos momentos decisivos de sua transformação pessoal. Com o primeiro filho, Abilene descobriu uma nova dimensão da vulnerabilidade e do amor. A experiência com Ana, por sua vez, levou a autora a questionar suas prioridades e a relação entre a rotina que havia construído e a maternidade que desejava viver.

Um episódio envolvendo a filha teve papel importante nessa mudança. Quando ainda era pequena, Ana acordou e pediu apenas: “Fica, mamãe”. A frase fez Abilene refletir sobre a distância entre as exigências da vida cotidiana e o tempo de presença que gostaria de dedicar aos filhos.

Outro ponto abordado no relato é a reconstrução da relação com a própria mãe. Ao conhecer melhor a história familiar e os problemas de saúde enfrentados por ela, Abilene conseguiu olhar para antigas dores sob outra perspectiva. Esse processo permitiu reconhecer tanto a importância do amor e da compreensão quanto a necessidade de estabelecer limites emocionais.

A Neurociência, o acompanhamento terapêutico e a espiritualidade também aparecem nessa trajetória. A autora relaciona essas experiências à possibilidade de identificar padrões emocionais aprendidos durante a infância e compreender como eles podem ser transformados ao longo da vida.

Abilene não apresenta a maternidade como uma experiência idealizada ou livre de conflitos. Sua reflexão parte justamente do reconhecimento de que amar os filhos não significa acertar sempre. Para ela, educar também envolve reconhecer os próprios erros, pedir perdão e compreender que é possível falhar mesmo quando existe amor.

A pergunta que atravessa o capítulo amplia o relato para além de sua experiência individual: quantas mulheres estão aprendendo a ser mães enquanto ainda tentam compreender a filha que foram ou que ainda são?

Livro reúne outras 11 experiências de maternidade

Além da história de Abilene Rodrigues, Mães Reais: Quando a maternidade não segue o roteiro – Doze Mulheres, Doze Verdades, Uma Só Coragem reúne outros 11 relatos de mulheres com experiências diferentes de maternidade.

As histórias passam por caminhos diversos. Algumas autoras conheceram a maternidade pela gestação; outras, pela adoção, pelo acolhimento ou pela espera. A coletânea também reúne experiências atravessadas pelo luto, pelo medo, pela culpa, pela infertilidade, pela reconstrução familiar e pela coragem de recomeçar.

Embora cada relato apresente uma trajetória particular, as histórias compartilham uma percepção: a maternidade transforma as mulheres e modifica a maneira como elas compreendem a si mesmas e suas relações familiares.

A obra é organizada pela psicoterapeuta integrativa das emoções Estela Centurion, que também assina um dos capítulos. Participam ainda Cleuza Fialho, Elza Bordin, Fabiane Prazeres, Maéli Valiati, Márcia Gonzalez, Mirtes Klein, Nora Melgarejo, Queli Rocha, Renata Koltun e Tere de Oliveira.

O lançamento será no dia 21, às 18h, na loja Paraná Decor, em Foz do Iguaçu.

Mais informações podem ser consultadas nos perfis do Instagram: @abilenerodrigues e @maesreaisfoz.

Steve Rodríguez

*Steve Rodríguez é repórter do Fronteira Livre, pesquisador e doutorando pela UNILA com formação interdisciplinar em narrativa audiovisual, estudos culturais latino-americanos e práticas pedagógicas anticoloniais. Sua trajetória combina criação artística (teatro, cinema e cultura visual) com reflexão teórica, orientada pela perspectiva dos estudos visuais de Nicholas Mirzoeff.

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