Foz do Iguaçu, PR – Movimentos sociais, estudantes e entidades de trabalhadores de Foz do Iguaçu organizam manifestações de rua contra o aumento de 20% na tarifa do transporte coletivo urbano. A passagem subirá de R$ 5 para R$ 6 a partir de 4 de dezembro, conforme determinado por decreto pelo prefeito Joaquim Silva e Luna (PL).
A reação popular questiona a decisão municipal de transferir o custo do sistema para o passageiro com a justificativa de cobrir a inflação e reduzir os aportes financeiros da Prefeitura. Os manifestantes apontam que a população já enfrenta um serviço de baixa qualidade e agora terá de arcar com o peso do reajuste no orçamento familiar.
Além do encarecimento das viagens, a mobilização crítica atinge eventuais restrições ao passe livre estudantil. Os grupos organizados denunciam que a medida trata a mobilidade como mercadoria para assegurar a margem de lucro das concessionárias privadas em detrimento dos direitos sociais da população trabalhadora.
“Não existe justificativa plausível para essas medidas, a não ser favorecer o aumento dos lucros dos empresários às custas da população trabalhadora e dos estudantes. Não vamos aceitar que o direito à mobilidade seja tratado como mercadoria.”
O impacto no bolso é o principal vetor da insatisfação. Quem utiliza duas conduções por dia durante 22 dias úteis passará a gastar R$ 264 por mês, contra os R$ 220 cobrados atualmente. Em um ano, a alta impõe uma perda acumulada de R$ 528 para quem depende do transporte público para trabalhar ou estudar.
A cobrança mais alta no cartão eletrônico e no dinheiro contrasta com a falta de detalhamento dos custos do sistema. O Decreto nº 35.094 apoia-se no Relatório Técnico nº 180/2026, do Instituto de Transportes e Trânsito de Foz do Iguaçu (Foztrans), mas o governo não apresentou abertamente as planilhas nem as projeções financeiras da operação por quilômetro rodado.
Paralelamente aos protestos, a empresa operadora Visac argumenta que o principal fator de pressão sobre o sistema é o avanço das gratuidades. Segundo a concessionária, a proporção de passageiros isentos passou de 38% em junho de 2022 para 57,34% atualmente, registrando 672.224 passagens gratuitas em agosto deste ano e exigindo um aporte público mensal de R$ 3,87 milhões.
A VISAC esclarece a composição da tarifa do transporte público de Foz do Iguaçu e redução da gratuidade
A VISAC, empresa responsável pela operação do transporte coletivo de Foz do Iguaçu, esclarece que o contrato firmado com o município estabelece a remuneração pelo serviço com base no quilômetro rodado, e não no valor da tarifa paga pelos passageiros.
Na visão da VISAC, um dos fatores que impactam diretamente o custeio do sistema é o crescimento do número de passageiros beneficiados pelas gratuidades. Atualmente, 57,34% dos passageiros do transporte coletivo de Foz do Iguaçu são isentos do pagamento da tarifa.
O último reajuste havia sido realizado em junho de 2022, quando as gratuidades representavam aproximadamente 38% dos passageiros. Desde então, esse percentual aumentou significativamente, chegando aos atuais 57,34%.
Em agosto deste ano, por exemplo, dos 1.172.442 passageiros que utilizaram o transporte público no município, 672.224 tiveram acesso gratuito ao serviço. Para garantir a operação do sistema naquele mês, foi necessário um aporte de R$ 3.872.743,20 por parte da Prefeitura/Foztrans.
Nesse contexto, a atualização tarifária contribui para o financiamento do sistema, considerando o crescimento das gratuidades e a necessidade de garantir a continuidade e a qualidade do serviço prestado à população.
Diante do conflito entre a contenção de gastos cobrada pela Prefeitura, as alegações da concessionária e a pressão pelo custeio, os movimentos sociais exigem a revogação imediata do aumento tarifário, a garantia integral do passe livre estudantil e a abertura da caixa-preta dos contratos do transporte urbano em Foz do Iguaçu.



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