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Greve da Caixa continua após bancários rejeitarem proposta

Funcionários rejeitaram pacote com corte de direitos na assistência médica; instituição ameaça levar impasse ao Tribunal do Trabalho.

Clientes utilizam caixas eletrônicos enquanto atendimento nas agências permanece paralisado. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Foz do Iguaçu, PR – Os bancários da Caixa Econômica Federal decidiram manter a greve da Caixa por tempo indeterminado após rejeitarem a proposta final de acordo apresentada pela direção da instituição. A decisão foi tomada em votações encerradas na noite desta sexta-feira (11). Na base do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, 68% dos trabalhadores foram contrários ao texto. A paralisação nacional começou na última quinta-feira (10) e já atinge agências bancárias em diversas regiões do país, incluindo o Paraná e cidades da faixa de fronteira.

O centro da disputa está nas mudanças impostas ao Saúde Caixa, o plano de assistência médica do funcionalismo. A direção do banco propôs alterações diretas no bolso dos trabalhadores: fixação de mensalidades individuais entre R$ 480 e R$ 660 por dependente, segundo a idade, alíquotas de contribuição entre 2,3% e 4,1% sobre o salário-base, além de um piso mensal de R$ 50 por beneficiário e cobrança de 13ª mensalidade.

O texto da Caixa também dobrava a taxa de consulta em pronto-socorro — saltando de R$ 75 para R$ 150, cobrança feita por fora do teto de gastos da família. O limite anual de coparticipação familiar subiria de R$ 3,6 mil para R$ 4,8 mil, com teto geral de desconto de 9% sobre os rendimentos do grupo familiar. A proposta incluía ainda recadastramento anual obrigatório e uma regra sem volta: quem cancelar o plano fica permanentemente impedido de retornar ao Saúde Caixa, com apenas 90 dias de janela para quem quisesse retornar agora. Apenas os atendimentos por telemedicina ficariam isentos de cobrança extra.

Como contrapartida financeira para encerrar o movimento, a Caixa ofereceu o pagamento de um prêmio único de R$ 3 mil por trabalhador, além de quitar em 18 de setembro os salários reajustados, a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), o Super Caixa e o próprio abono. No âmbito da gestão de saúde, a direção propôs elevar de 6,5% para 8% o teto de custeio patronal do Saúde Caixa, antecipar repasses de sua cota da 13.ª mensalidade dos anos de 2028, 2029 e 2030, quitar passivos do plano anterior (PAMS) a partir de 2027, aplicar R$ 236 milhões em medicina preventiva desde 2027 e instituir grupos de trabalho para avaliar fontes extras de financiamento. Os trabalhadores, no entanto, consideraram os termos lesivos à sustentabilidade e ao acesso ao serviço médico.

Antes da votação, a direção da Caixa declarou que a oferta tinha validade apenas até a sexta-feira (11) e afirmou que recorreria à Justiça do Trabalho se a proposta fosse rejeitada. A cúpula do banco estuda formalizar o pedido de dissídio coletivo para que a Justiça imponha as condições de encerramento da greve, mas afirmou manter o diálogo com os sindicatos.

A mobilização da Caixa começou após mais de 90% das bases da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) recusarem uma minuta preliminar do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). No Banco do Brasil, a dinâmica foi diferente: a maioria dos sindicatos aceitou o acordo daquela instituição e operou normalmente nesta sexta-feira, embora trabalhadores de 18 bases sindicais tenham recusado os termos e continuem paralisados. Com as portas das agências fechadas ao público, a Caixa direciona a população para serviços eletrônicos e parceiros comerciais.

Serviço: canais de atendimento durante a greve.

  • Terminais e parceiros presenciais: salas de autoatendimento das agências (caixas eletrônicos), rede Banco24Horas, casas lotéricas e correspondentes Caixa Aqui (sujeitos ao horário do comércio local).
  • Canais digitais: Aplicativos Caixa, Caixa Tem, Habitação Caixa, Cartões Caixa, FGTS, DPVAT e Internet Banking.
  • Telefone e mensagens: atendimento digital pelo WhatsApp Caixa e central Alô Caixa pelos números 4004-0104 (capitais e regiões metropolitanas) e 0800-104-0104 (demais localidades).

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista, fundador e editor do portal Fronteira Livre. Com vivência em diferentes países da América Latina e atuação voltada ao jornalismo territorial, dedica sua escrita à análise política, social e cultural das fronteiras, dos territórios e das realidades que marcam a vida dos povos latino-americanos.

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