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Feira do Livro de Foz recebe exposição do CAPS AD III

Espaço apresentou obras produzidas por usuários do serviço e aproximou o público de diferentes formas de expressão artística

Programação da Feira do Livro encerrou neste domingo (6). Foto; Prefeitura de Foz.

Foz do Iguaçu, PR – A 21ª Feira Internacional do Livro de Foz do Iguaçu – Festival Literário abriu espaço para histórias que ultrapassam as páginas dos livros. Entre as iniciativas que integraram a programação deste ano esteve a exposição do Centro de Atenção Psicossocial Dr. Douglas Bittencourt – Álcool e Drogas III (CAPS AD III), que participou pela primeira vez do evento.

O espaço apresentou trabalhos produzidos por usuários do serviço durante oficinas terapêuticas, utilizando diferentes linguagens artísticas como formas de expressão. Entre os destaques esteve uma publicação desenvolvida na oficina de literatura, realizada em parceria com o Programa Foz Fazendo Arte.

Segundo a gerente do CAPS AD III, Tatiana Lopes, a participação na Feira possibilitou apresentar ao público as potencialidades das pessoas atendidas pelo serviço e contribuir para a redução do estigma relacionado à saúde mental.

“A gente quer romper com o estigma associado ao CAPS. É muito comum que as pessoas associem o CAPS a um espaço de loucura, sem reconhecer que é um serviço de atendimento em saúde mental e que está tudo bem procurar ajuda. Essa exposição mostra também as potencialidades dos nossos usuários”, destaca.

As oficinas terapêuticas do CAPS AD III trabalham com diferentes linguagens como ferramentas de expressão. Por meio da arte, das cores, dos desenhos e da literatura, os usuários encontram outras possibilidades para comunicar sentimentos e experiências.

Exposição chama a atenção de visitantes

Entre os visitantes que conheceram os trabalhos estava a turista de São Paulo Dulce Maria Brito Abreu, de 65 anos. Admiradora da arte e estudante de arteterapia, ela destacou a capacidade das manifestações artísticas de possibilitar formas de expressão que vão além das palavras.

“Às vezes, na arte é mais fácil. A imagem, as cores e as sensações acessam melhor o subconsciente. A palavra já é uma elaboração mais consciente, com mais censura”, relatou.

Dulce visitou a Feira Internacional do Livro pela primeira vez e também destacou a realização do evento em espaço público, com acesso a diferentes manifestações culturais e literárias.

“Eu achei encantador, maravilhoso. O acontecer em praça pública, muita gente circulando, histórias contadas, histórias acessíveis. Tem palestra, música, manifestações literárias e crianças com livros. É um estímulo muito importante”, afirmou a visitante.

Quem passou pelo espaço do CAPS AD III também teve a oportunidade de levar para casa o fanzine produzido pelos usuários do serviço. A publicação reúne palavras e imagens e apresenta parte das possibilidades de expressão trabalhadas nas atividades terapêuticas.

Steve Rodríguez

*Steve Rodríguez é repórter do Fronteira Livre, pesquisador e doutorando pela UNILA com formação interdisciplinar em narrativa audiovisual, estudos culturais latino-americanos e práticas pedagógicas anticoloniais. Sua trajetória combina criação artística (teatro, cinema e cultura visual) com reflexão teórica, orientada pela perspectiva dos estudos visuais de Nicholas Mirzoeff.

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