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Bar em Belém rebate denúncia de demissão política de atendente

Empresa de Belém chama fala contra atendente de piada, enquanto trabalhadora relata perda da renda que sustenta três filhos.

Atendente sem carteira assinada relata perda de plantões após o segundo turno das eleições presidenciais. Foto: Divulgação.

Belém, PA – O Bodega Bar divulgou nesta quinta-feira (29) uma nota de esclarecimento após a denúncia de que uma atendente autônoma foi dispensada por causa de sua opção eleitoral, dois dias depois da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno. A empresa declarou que o episódio foi um mal-entendido causado por uma brincadeira, mas não informou que medidas práticas tomou nem esclareceu se a trabalhadora voltará ao serviço.

No texto enviado à imprensa, a direção afirmou ter conversado com as partes e disse que o caso foi resolvido.

“Após conversas e esclarecimentos entre as partes, entendemos que a situação pode ter sido fruto de um mal-entendido, decorrente de uma brincadeira que acabou sendo interpretada de maneira diferente da pretendida.”

A empresa declarou ter adotado as providências cabíveis, mas não indicou quais foram. O comunicado não detalhou o conteúdo da suposta piada nem explicou como ficou o vínculo de trabalho da atendente.

Conforme apuração da agência Alma Preta, a trabalhadora prestava serviços sem carteira assinada no bar, situado na Avenida Conselheiro Furtado, bairro da Cremação. Ela atendia mesas no local havia cerca de três meses e recebia avaliações positivas das tarefas que executava.

Na terça-feira (27), a profissional procurou o dono do bar para saber se compareceria ao plantão. A resposta recebida ligou o corte do expediente ao resultado das eleições.

“Não, o Lula vai ajudar você”.

A mensagem foi recebida pela atendente como dispensa imediata motivada pelo voto. Sob condição de anonimato, ela relatou que sustenta sozinha três filhos, sendo que um deles requer acompanhamento constante ao longo do dia, dependendo diretamente do dinheiro das diárias noturnas para manter a casa.

Por volta das 9h desta quinta-feira (29), o gerente do estabelecimento ligou para a trabalhadora. Ele negou que tivesse ocorrido demissão e afirmou que a reportagem causava danos à reputação do bar.

Na nota, o estabelecimento afirmou respeitar a colaboradora, mas não indicou qualquer oferta para recolocá-la na escala. O texto também pede a interrupção de apelos de boicote e manifestações contrárias enviadas ao comércio e aos proprietários.

“Não compactuamos com ataques pessoais, comentários virtuais, ameaças ou qualquer forma de violência.”

O comunicado sustenta que a casa respeita a divergência de opiniões e defende saídas negociadas.

“Respeitamos a liberdade de expressão e as opiniões individuais, mas acreditamos que o diálogo, o respeito e a compreensão são sempre os melhores caminhos para resolver divergências.”

No fim da nota, o bar argumenta que emprega pessoas cujas famílias dependem das vendas e pede o encerramento do assunto.

“O nosso desejo é encerrar este capítulo de maneira pacífica, preservando a dignidade de todos os envolvidos e seguindo em frente com responsabilidade e respeito.”

O caso ilustra a vulnerabilidade de trabalhadores informais diante de divergências políticas com empregadores. Até a divulgação do posicionamento, a direção do bar não havia apresentado nenhuma garantia de retorno para a atendente nem esclarecido como compensará o corte de sua renda.

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista, fundador e editor do portal Fronteira Livre. Com vivência em diferentes países da América Latina e atuação voltada ao jornalismo territorial, dedica sua escrita à análise política, social e cultural das fronteiras, dos territórios e das realidades que marcam a vida dos povos latino-americanos.

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