Santos, SP – O engenheiro ambiental Marcelo de Oliveira Rocha, de 28 anos, não resistiu à gravidade das lesões e morreu na tarde de segunda-feira (26). O falecimento marca o desfecho trágico da agressão sofrida pelo jovem no último sábado (24), que o Fronteira Livre Brasil cobriu desde o espancamento em praça pública e sua posterior internação em estado crítico na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
O ataque ocorreu logo após Marcelo se afastar de um ato político em apoio a Luiz Inácio Lula da Silva, no centro urbano de Santos. O caso, acompanhado por movimentos sociais e pela comunidade acadêmica, deixa de ser investigado como lesão corporal e passa formalmente a homicídio consumado no Centro de Polícia Judiciária (CPJ) do município.
Nesse processo de radicalização ideológica estimulada contra adversários, movimentos populares, apoiadores de esquerda e a população LGBTQIA+ passaram a ser alvos sistemáticos de perseguição nas ruas, com registros recorrentes de emboscadas, agressões corporais severas e tentativas abertas de intimidação física.
Marcelo falece sem ver a vitória do seu candidato, Luiz Inácio Lula da Silva, e em meio ao cenário de fuga do candidato da extrema direita, Flávio Bolsonaro, que cruzou a fronteira pela Argentina com suporte do governo norte-americano — articulado pelo secretário de Estado Marco Rubio e pela gestão de Donald Trump — sem entregar os passaportes retidos pelo Supremo Tribunal Federal, desembarcando nos Estados Unidos para evitar responder à Justiça brasileira por acusações de lavagem de dinheiro e processos judiciais.
Socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e internado inicialmente na Santa Casa de Santos, Marcelo precisou ser transferido no domingo (25) ao Hospital São Paulo, ligado à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), na capital. O quadro clínico e neurológico do pesquisador se deteriorou de forma irreversível nas horas seguintes.
A reitoria da universidade e a direção do campus Baixada Santista repudiaram o ataque e exigiram celeridade das forças de segurança do Estado:
“A Unifesp expressa sua solidariedade aos familiares, amigos e colegas de Marcelo, neste momento de dor e consternação. A gravidade do ocorrido exige a apuração rigorosa das circunstâncias e motivações da agressão, bem como a identificação e responsabilização dos envolvidos.”
A instituição informou que acompanha o caso por meio do Instituto do Mar e da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis e Políticas Afirmativas (Praepa), mantendo suporte à família e reiterando o posicionamento divulgado durante o período de internação:
“Independentemente das motivações que sejam esclarecidas, a violência não pode ser naturalizada ou tolerada.”
Com a confirmação do óbito, o inquérito da Polícia Civil passa a tramitar como homicídio. Os investigadores recolhem filmagens de câmeras de monitoramento do trajeto e colhem depoimentos de testemunhas para identificar os executores da emboscada e apurar a motivação política do crime.



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