Palmira (Colômbia) – Durante mais de quatro meses, sindicalistas, amigos e companheiros de militância acompanharam com esperança a recuperação de Alejandro Caicedo Gavilán. Secretário-geral do Sindicato Unitário Nacional de Trabalhadores do Estado (Sunet), subsede Palmira, ele lutava contra as graves sequelas de um atentado sofrido no fim do ano passado. A espera terminou no último dia 7 de maio, quando o dirigente faleceu aos 41 anos.
Sua morte ultrapassou os limites do movimento sindical ao qual dedicou boa parte da vida. Em uma Colômbia que ainda convive com assassinatos de lideranças sociais, disputas territoriais e profundas polarizações políticas, o caso voltou a expor uma ferida que permanece aberta mesmo após os avanços dos processos de paz.
Alejandro foi atacado por homens armados em uma motocicleta no dia 30 de dezembro. Os disparos provocaram ferimentos graves, incluindo uma lesão no pescoço que atingiu a artéria carótida. Apesar dos esforços médicos e do longo período de internação em Unidade de Terapia Intensiva, ele não resistiu.
Para Arvey Lozano, vice-presidente do Sunet em Palmira, a morte do companheiro representa uma perda que vai além da entidade sindical.
“Foi um crime contra a Colômbia que tanto lutamos para construir”, afirmou.
Uma trajetória marcada pela militância
Entre sindicalistas do Vale do Cauca, Alejandro era reconhecido por sua participação constante em mobilizações populares, atos públicos e iniciativas em defesa dos trabalhadores do setor público.
Segundo relatos de companheiros, sua trajetória foi marcada pelo compromisso com causas sociais e pela defesa de direitos trabalhistas e democráticos. Em períodos anteriores, recebeu ameaças que o obrigaram a interromper os estudos universitários e deixar temporariamente a Colômbia.
Durante esse período, viveu em diferentes países, entre eles Argentina, Brasil, Espanha, Finlândia, Noruega e Suíça, além de passagens por Cuba e Venezuela. Posteriormente, retornou ao país e retomou sua atuação política e sindical.
Para Arvey Lozano, a capacidade de diálogo e a proximidade com os trabalhadores fizeram de Alejandro uma liderança respeitada dentro e fora do sindicato.
“Era alguém que estava sempre presente quando havia uma luta para travar ou uma mobilização para organizar”, recordou.
Um problema que permanece
A morte de Alejandro ocorre em um contexto que continua preocupando organizações de direitos humanos.
Dados divulgados pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento e a Paz (Indepaz) apontam que ao menos 187 lideranças sociais e defensoras de direitos humanos foram assassinadas na Colômbia ao longo de 2025. Neste ano, outras dezenas de casos já foram registrados.
Os números ajudam a explicar por que a segurança de dirigentes comunitários, indígenas, camponeses, sindicalistas e defensores de direitos humanos permanece entre os principais desafios da democracia colombiana.
Embora os acordos de paz tenham reduzido parte da violência associada ao conflito armado, diversas regiões do país continuam convivendo com estruturas criminosas, disputas pelo controle territorial e ameaças contra lideranças locais.
Eleições ampliam tensões
O assassinato também ocorre em um período de forte disputa política.
A proximidade das eleições presidenciais intensificou o debate sobre segurança, democracia e direitos sociais. Diferentes setores da sociedade colombiana divergem sobre os rumos do país, enquanto movimentos sociais manifestam preocupação com o ambiente de hostilidade enfrentado por lideranças populares.
Nesse cenário, a morte de Alejandro Caicedo passou a ser vista por sindicatos e organizações sociais como mais um episódio de uma violência que não desapareceu completamente da vida política colombiana.
Mais do que a perda de um dirigente sindical, o caso reacende uma pergunta que acompanha a história recente do país: até que ponto a participação política, a organização dos trabalhadores e a defesa de direitos continuam representando riscos para quem decide ocupar o espaço público?
Enquanto familiares, amigos e companheiros aguardam respostas sobre o atentado, a cobrança por justiça permanece.
Para muitos movimentos sociais colombianos, esclarecer o crime e responsabilizar seus autores é também uma forma de defender a própria democracia.


















