Rio de Janeiro, RJ, e Santo André, SP – Entregadores cadastrados na malha logística da Shopee paralisaram as atividades e realizaram protestos em galpões de distribuição no Rio de Janeiro e em São Paulo. A categoria cobra transparência no sistema de escalonamento, critérios públicos na divisão das rotas e reajuste nos valores pagos por viagem, além de denunciar retaliações e bloqueios arbitrários.
A mobilização mais recente começou na manhã desta quarta-feira (4), no terminal de cargas do Galeão, na Zona Norte do Rio. Na unidade, os trabalhadores decretaram paralisação por tempo indeterminado. Eles exigem a redução do excesso de paradas por trajeto, mais agilidade no carregamento dos veículos e revisão das taxas repassadas pela empresa.
O ato no Rio ocorre na sequência de um protesto realizado na terça-feira (25) em Santo André, no ABC Paulista. Na ocasião, motoristas parceiros ocuparam a entrada do centro logístico na Avenida dos Estados. A mobilização em São Paulo teve início por volta das 5h30 e foi acompanhada pela Polícia Militar, sem registro de confrontos.
No centro da disputa está o controle algorítmico da distribuição de serviço. Segundo os manifestantes, a falta de critérios claros faz com que parte dos motoristas consiga rotas diárias de segunda a segunda, enquanto outros passam dias ou semanas sem receber chamados, o que gera instabilidade financeira e precarização.
Trabalhadores relatam que a disparidade na oferta de entregas cria um ambiente de dependência, no qual muitos evitam registrar queixas formais à administração dos galpões por temor de punições ou desligamento sumário do aplicativo.
Integrante do ato em Santo André, o entregador Vinícius Almeida, de 34 anos, detalhou o funcionamento do protesto e o impacto da divisão assimétrica do trabalho no cotidiano da categoria.
“Chegamos ao galpão às 5h30 e fizemos uma paralisação pacífica. Chamamos o pessoal da portaria e explicamos que seria algo tranquilo. Os caminhões e as outras empresas estão liberados, mas os motoristas da Shopee não entraram porque estamos tentando encontrar uma solução para as irregularidades que estão acontecendo dentro do galpão.”
O motorista reforçou a diferença na escala de distribuição de viagens entre os profissionais cadastrados.
“Tem gente trabalhando de segunda a segunda, tem motorista que não consegue trabalhar durante a semana, é escalado um dia e fica uma semana em casa. É escalado por dois dias e fica mais duas semanas em casa. E tem gente trabalhando todos os dias.”
Diante da ausência de respostas nas interlocuções locais, os entregadores organizaram comissões para apresentar as reivindicações diretamente à gestão da empresa.
Questionada sobre os protestos e as críticas sobre o escalonamento, a Shopee declarou que mantém um canal de comunicação com os prestadores de serviço independentes.
“Nossas equipes estão acompanhando de perto as demandas e estão em contato para entender e endereçar as solicitações recebidas. Reforçamos nosso compromisso em colaborar com os entregadores e garantir uma experiência cada vez melhor para os nossos consumidores e parceiros logísticos.”



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