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Esquema de fuga de Flávio Bolsonaro entra na mira de pedido à PF

Representação cita Eduardo Bolsonaro, advogado e apura apoio de governos de Trump e Milei para senador derrotado furar ordens do STF.

O senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado nas urnas e investigado no STF por descumprir restrições judiciais. Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

Brasília, DF – A bancada do Partido dos Trabalhadores (PT) na Câmara acionou a Polícia Federal para investigar uma rede política e financeira que teria organizado a fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos. O parlamentar, que disputou a Presidência pela extrema direita e saiu derrotado das urnas no segundo turno, acumulava medidas cautelares determinadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

O pedido é assinado pelo líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), e pelo deputado Rogério Correia (MG). O documento sustenta que a saída do país não foi uma ação isolada, mas sim uma operação estruturada para driblar a Justiça brasileira.

A representação pede a investigação do deputado Eduardo Bolsonaro e do advogado Willer Tomaz. Tomaz responde às mesmas investigações judiciais que envolvem Flávio Bolsonaro. Os parlamentares também pedem apuração sobre a eventual conivência de integrantes dos governos de Donald Trump, nos Estados Unidos, e de Javier Milei, na Argentina.

Conforme a peça enviada à PF, Flávio cruzou a fronteira rumo à Argentina, portando passaporte italiano. De lá, embarcou para os Estados Unidos, onde desembarcou utilizando um passaporte diplomático brasileiro já cancelado pelo STF.

O transporte aéreo está no centro das cobranças. Os deputados solicitam a quebra e o rastreamento dos pagamentos feitos à empresa argentina Baires Fly, dona do avião fretado para a rota, e a apuração sobre a ligação de uma segunda aeronave particular atribuída a Willer Tomaz.

Em solo argentino, Flávio teria recebido escolta policial antes da decolagem rumo ao território norte-americano, em voo que fez escala no Equador. Por conta disso, os parlamentares querem que o Ministério das Relações Exteriores cobre esclarecimentos oficiais dos governos vizinhos e da Casa Branca sobre a facilitação da rota.

A petição solicita ainda o acionamento da Interpol por meio de difusão azul, mecanismo internacional usado para mapear deslocamentos, paradeiro e movimentações de investigados. Em outra frente, já tramitam no STF pedidos de prisão preventiva e de difusão vermelha contra o senador.

A apuração inclui também a atuação de uma rede organizada de desinformação. A suspeita dos parlamentares é de que aliados tenham espalhado relatos desencontrados e dados falsos de forma intencional para desviar o foco das forças de segurança e atrasar a localização do congressista.

Para os autores da representação, as ações podem configurar favorecimento pessoal, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e obstrução de investigação de organização criminosa.

A representação será encaminhada ao ministro Alexandre de Moraes, relator dos inquéritos no STF, e à Procuradoria-Geral da República (PGR).

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista, fundador e editor do portal Fronteira Livre. Com vivência em diferentes países da América Latina e atuação voltada ao jornalismo territorial, dedica sua escrita à análise política, social e cultural das fronteiras, dos territórios e das realidades que marcam a vida dos povos latino-americanos.

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