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Gaeco prende prefeito de Alfredo Wagner por corrupção e desvios

Detenção de Gilmar Sani (PL) eleva para 31 o total de prefeitos presos em SC desde 2021; Justiça bloqueou R$ 2,7 milhões em bens do grupo.

Prisão de Gilmar Sani em Alfredo Wagner eleva para 31 o número de prefeitos detidos em SC. Foto: Divulgação.

Alfredo Wagner, SC – O prefeito de Alfredo Wagner, Gilmar Sani (PL), foi preso preventivamente na manhã desta terça-feira (27) durante a Operação Dominus Urbis. A ação investiga desvios de recursos públicos, fraudes em contratos da prefeitura e lavagem de capitais no município da Grande Florianópolis.

Com a detenção de Sani, Santa Catarina atingiu a marca histórica de 31 prefeitos presos desde 2021 em apurações sobre esquemas de corrupção e desvio de verbas. O levantamento partidário das prisões no período é liderado pelo MDB, com nove chefes do Executivo detidos, seguido pelo PL, que agora soma sete casos.

O ranking estadual de gestores municipais presos nos últimos anos segue com o PP, que registra seis prisões, e o PSD, com quatro. As legendas PRD, União Brasil, Republicanos, PT e PSDB tiveram um prefeito preso cada ao longo das investigações contra fraudes no poder público catarinense.

Deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), a operação aponta a instalação de uma rede criminosa na administração de Alfredo Wagner. O grupo favorecia empresas previamente escolhidas e ocultava repasses por meio de familiares e intermediários.

O Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) expediu 51 mandados de busca e apreensão e determinou a indisponibilidade de mais de R$ 2,7 milhões em bens e valores ligados aos investigados. A decisão busca resguardar os cofres municipais diante dos prejuízos apurados.

As ordens judiciais foram cumpridas em prédios públicos, empresas e residências em Alfredo Wagner, Bocaina do Sul, Palhoça, Blumenau, Xaxim e Ilhota. O trabalho em campo teve o apoio de equipes técnicas do Ministério Público e do Batalhão de Aviação da Polícia Militar.

Conforme os investigadores, o termo em latim que dá nome à ação se traduz como “Senhor da Cidade”. O conceito reflete a suspeita de que o prefeito usava o cargo e o aparato da prefeitura para controlar concorrências públicas e subordinar a economia local a interesses privados.

Além da ordem de prisão contra Gilmar Sani, os agentes lavraram autos em flagrante por posse ilegal de arma de fogo de uso permitido e restrito, além de uma prisão em flagrante por lavagem de dinheiro. Volumes expressivos de dinheiro em espécie foram apreendidos para perícia técnica.

Os mandados atingiram diretamente as sedes administrativas de Alfredo Wagner e de Bocaina do Sul. A prefeitura de Alfredo Wagner não emitiu manifestação oficial sobre a prisão do mandatário até o fechamento desta reportagem.

Já em Bocaina do Sul, chefiada pelo prefeito Duduca (PSDB), a administração confirmou o cumprimento de buscas nas repartições municipais e declarou em nota oficial que:

“colaborou integralmente com os trabalhos realizados, disponibilizando prontamente o acesso aos documentos solicitados”

A prefeitura vizinha afirmou que seguirá colaborando com as apurações. O processo apura a prática de organização criminosa, corrupção, fraude à licitação, peculato, falsidade ideológica, prevaricação e lavagem de dinheiro, sob sigilo judicial no TJSC.

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista, fundador e editor do portal Fronteira Livre. Com vivência em diferentes países da América Latina e atuação voltada ao jornalismo territorial, dedica sua escrita à análise política, social e cultural das fronteiras, dos territórios e das realidades que marcam a vida dos povos latino-americanos.

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