Brasília, DF – Relatórios divulgados nesta terça-feira por duas missões internacionais de observação desmontaram a estratégia da extrema direita de lançar suspeitas sobre o resultado das urnas no Brasil.
Tanto o Carter Center quanto a Organização dos Estados Americanos (OEA) atestaram a lisura do segundo turno e reconheceram a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin para o mandato de 2027 a 2030. Lula obteve 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro, consolidando uma margem de 4,4 milhões de votos.
A manifestação dos organismos atinge o núcleo do discurso de Flávio Bolsonaro, alvo de diferentes investigações judiciais, que mobilizou aliados e contou com o apoio de Donald Trump nos últimos dias para tentar deslegitimar a contagem sem apresentar qualquer elemento factual.
A OEA destacou o trabalho das equipes técnicas, mesários e forças de segurança na coordenação de mais de 158 milhões de eleitores aptos a votar:
“A OEA parabeniza, igualmente, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Vice-Presidente Geraldo Alckmin por sua reeleição para o mandato de 2027 a 2030. Os resultados apresentados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na noite da eleição coincidem com as informações coletadas em campo pelos integrantes da Missão da OEA.”
A entidade das Américas foi direta ao barrar as alegações de adulteração:
“É importante destacar que a OEA não tem dúvidas quanto à integridade dos dados oficiais.”
Instantes antes, o Carter Center publicou suas avaliações preliminares sobre o pleito de 25 de outubro de 2026. A missão elogiou a condução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a rapidez na apuração de mais de 499 mil seções eleitorais, anunciada poucas horas após o término da votação.
O relatório frisou que o comparecimento cresceu cerca de 3 milhões de votantes frente ao primeiro turno. O documento também lembrou que as duas campanhas haviam firmado compromisso prévio de aceitar o resultado soberano do voto.
Chefe da missão e assessora sênior da instituição para a América Latina e o Caribe, Jennie Lincoln mandou um recado direto ao grupo derrotado:
“O Carter Center, juntamente com observadores nacionais e observadores internacionais independentes, testemunhou a conclusão bem-sucedida da eleição presidencial de 2026 e o contínuo compromisso do Brasil com a democracia. Respeitar a vontade dos eleitores é fundamental para a democracia. Candidatos e seus apoiadores devem respeitar os resultados anunciados. Quaisquer alegações fundamentadas em evidências devem ser encaminhadas pelas vias legais estabelecidas.”
O time de observadores reuniu técnicos da Alemanha, de Portugal e dos Estados Unidos. A apuração em campo focou no uso das urnas, no marco legal e no combate à manipulação da opinião pública.
O documento registrou que a eleição transcorreu sob forte judicialização, com decisões contraditórias no Judiciário, inclusive no Supremo Tribunal Federal (STF) e no próprio TSE. O principal exemplo foi a controversa prorrogação de duas horas na votação, ordenada quando as urnas já estavam fechadas em parte do país.
Outro ponto sob escrutínio envolve denúncias de viés algorítmico e interferência em redes da Meta. O TSE determinou que a empresa assegurasse equilíbrio entre as candidaturas e cobrou dados técnicos da plataforma, cujas apurações continuam em aberto.
Mesmo diante desses atritos operacionais e políticos, o tribunal conteve campanhas de boatos, enviando alertas pelo aplicativo e-Título, utilizado por quase metade do eleitorado, e entregou um sistema de votação auditável e seguro.



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