Londres, Reino Unido – O governo britânico divulgou nesta terça-feira uma cartilha oficial em defesa das empresas que operam nas Ilhas Malvinas e rejeitou a tentativa da Argentina de impor sanções contra a exploração de petróleo no arquipélago. O documento do Ministério das Relações Exteriores, Commonwealth e Desenvolvimento (FCDO) afirma abertamente que Buenos Aires não tem soberania nem jurisdição sobre as ilhas e assegura respaldo diplomático e legal a companhias que sofram retaliações econômicas internacionais.
O posicionamento de Londres é uma resposta direta ao presidente Javier Milei, que anunciou em cadeia nacional um projeto de lei para endurecer punições a petroleiras em áreas marítimas reivindicadas pela Argentina. Intitulado “Fazer negócios com as Ilhas Malvinas”, o texto britânico sustenta que sanções anteriores nunca travaram a economia local e descarta a hipótese de tribunais estrangeiros acatarem medidas argentinas.
Em contrapartida, Buenos Aires abriu procedimentos punitivos contra 60 pessoas físicas e jurídicas acusadas de exploração ilegal de hidrocarbonetos. Uma denúncia criminal mira a Navitas Petroleum e suas subsidiárias, além da canadense JHI Associates e sua acionista Eco Atlantic Oil & Gas. A base das ações é a Lei 26.659, de 2011, reformada em 2013 e acelerada pelo Decreto 868/2026, que transferiu a aplicação das sanções à chancelaria argentina e prevê proibições de atuação no país por até 20 anos.
O centro do embate é a bacia de Sea Lion, a cerca de 220 quilômetros ao norte das ilhas, classificada por Milei como um perigo claro e imediato aos interesses argentinos. O consórcio Rockhopper-Navitas projeta extrair 170 milhões de barris a partir de 2028. A ofensiva de Buenos Aires já provocou baixas: três gigantes globais de serviços — Halliburton, Baker Hughes e outra prestadora do ramo — desistiram de atuar no projeto com receio de perder o mercado da formação de Vaca Muerta.
O chanceler argentino Pablo Quirno aproveitou a recente manifestação conjunta dos líderes de Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte sobre autodeterminação para reforçar o discurso argentino. Durante o Dia da Exportação da Câmara de Exportadores da República Argentina (Cera), Quirno afirmou que a defesa britânica da integridade territorial converge com a posição histórica do país e informou que o governo não recebeu reclamações formais de governos estrangeiros sobre as medidas em vigor.
O novo projeto de sanções de Milei passa por ajustes na Secretaria Legal e Técnica, sob coordenação de María Ibarzabal Murphy e acompanhamento do assessor presidencial Santiago Caputo, devendo chegar ao Congresso nos próximos dias.



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