Foz do Iguaçu, PR – A Secretaria Municipal de Assistência Social, em parceria com o Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência (CMDPD) e o projeto de extensão “Multiplicadores da Inclusão”, da Unioeste, realizou na última sexta-feira (11) a primeira ação da Campanha Setembro Verde em Foz do Iguaçu. A iniciativa promoveu um debate sobre inclusão, garantia de direitos e combate ao capacitismo.
O encontro foi realizado na Estação Cultural Haroldo Alvarenga e reuniu cerca de 40 profissionais da rede socioassistencial, entre servidores públicos e representantes de Organizações da Sociedade Civil (OSCs).
Segundo a educadora social da Divisão de Políticas Transversais da Secretaria de Assistência Social, Maiara de Oliveira Costa, a atividade faz parte das ações previstas no Plano Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência, que orienta as políticas públicas destinadas a esse público no município.
“A Secretaria Municipal e o Conselho iniciaram esse movimento para que, no mês de setembro, essas campanhas levem informação para as comunidades, para os serviços e para todas as pessoas que necessitam conhecer mais sobre os acessos e os direitos das pessoas com deficiência”, explicou.
Debate sobre capacitismo
A programação contou com uma roda de conversa sobre capacitismo, com o objetivo de ampliar o conhecimento sobre o tema, promover a reflexão a respeito de atitudes preconceituosas e fortalecer práticas voltadas ao respeito, à acessibilidade, à autonomia, à participação social e à garantia de direitos das pessoas com deficiência.
O fisioterapeuta e pós-graduando em Mestrado em Saúde Pública em Região de Fronteira, Nelson Trindade, explicou o conceito de capacitismo e destacou as consequências jurídicas da prática.
“O capacitismo é o ato de agir com preconceito com a pessoa por conta da deficiência dela e ter uma baixa expectativa sobre ela. Isso é o capacitismo e é crime, que pode gerar multa e até reclusão”, explicou.
A discussão também abordou as diferentes barreiras enfrentadas pelas pessoas com deficiência, com destaque para as chamadas barreiras atitudinais, relacionadas a preconceitos, estigmas e comportamentos que dificultam a participação plena desse público na sociedade.
Para o fisioterapeuta e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Mestrado em Saúde Pública em Região de Fronteira da União Oeste, Guto Mazine, o enfrentamento dessas barreiras exige a ampliação das ações anticapacitistas.
“Cada vez mais a gente vem buscando trabalhar essas ações anticapacitistas. Queremos vencer as barreiras atitudinais, aquele preconceito, aquela coisa estrutural que vem percorrendo um caminho histórico. Queremos evidenciar a pessoa com deficiência, respeitando as suas amplas diversidades”, destacou.
Nelson Trindade também ressaltou a importância de ampliar o debate para além dos espaços institucionais e levar informações sobre capacitismo e deficiência para a comunidade.
“Queremos trazer este debate para toda a comunidade, para que nós tenhamos mais sentido e percepção sobre o capacitismo, como combatê-lo e, principalmente, sobre o conceito da pessoa com deficiência. Porque hoje essa visão ainda é muito estigmatizada em relação à capacidade”, concluiu.
A Campanha Setembro Verde busca ampliar a conscientização sobre os direitos das pessoas com deficiência e estimular ações de inclusão e enfrentamento ao preconceito.



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