Washington, Estados Unidos – O governo dos Estados Unidos decidiu redirecionar US$ 52 milhões (cerca de R$ 267,3 milhões) em ajuda militar que originalmente atenderiam países da Europa e do Oriente Médio para financiar quatro governos aliados na América Latina: Panamá, Peru, Equador e Colômbia. O Departamento de Estado notificou o Congresso norte-americano nesta terça-feira (15) sobre a transferência dos recursos, retirados do programa de Financiamento Militar Estrangeiro (FMF, na sigla em inglês).
A verba, que antes estava programada para Eslováquia, Macedônia do Norte, Tunísia e Iraque, agora abastecerá administrações alinhadas politicamente ao presidente Donald Trump. Por meio do FMF, o dinheiro dos contribuintes norte-americanos é repassado a governos parceiros exclusivamente para a compra de armas e equipamentos bélicos fabricados por empresas de defesa dos próprios Estados Unidos.
A decisão funciona como retaliação contra membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a quem Trump acusa com frequência de não cumprirem metas de gastos militares. Ao mesmo tempo, marca uma inflexão estratégica de Washington para concentrar forças no continente americano. Segundo o Departamento de Estado, a medida visa combater o chamado “narcoterrorismo”, proteger o Canal do Panamá e frear o avanço de concorrentes globais na região, em referência direta à expansão comercial e diplomática da China.
Os quatro países beneficiados aceitaram integrar a estrutura operacional da Aliança das Américas, iniciativa de segurança regional desenhada pela Casa Branca que prevê cooperação armada e abre caminho para operações militares conjuntas com soldados norte-americanos nos territórios dessas nações. A notificação ao parlamento ocorreu uma semana após a viagem oficial do secretário de Estado, Marco Rubio, a três das capitais sul-americanas contempladas: Bogotá, Quito e Lima. Recentemente, a Colômbia elegeu o conservador Abelardo de la Espriella, e o Peru passou a ser governado por Keiko Fujimori, consolidando coalizões locais favoráveis à agenda externa de Washington.
O Departamento de Estado justificou que a assistência militar norte-americana negligenciou historicamente as Américas, enquanto cerca de 80% do programa FMF foi direcionado ao Oriente Médio ao longo dos últimos dez anos. A pasta declarou que a fatia remanescente para as nações atingidas pelo corte ainda passará por ajustes e que o montante individual destinado a cada um dos quatro parceiros latino-americanos será detalhado nas próximas semanas.



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