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Israel expulsa estudantes palestinos críticos à ofensiva em Gaza

Punições acadêmicas atingiram 100 jovens por curtidas na internet, orações por civis em Gaza e exibição de bandeiras em perfis pessoais.

Medidas disciplinares suspenderam alunos antes mesmo de audiências formais. Foto: Burak Akbulut/Anadolu Agency

Jerusalém – Universidades e faculdades israelenses expulsaram ou suspenderam 100 estudantes palestinos por manifestarem críticas às operações militares e à guerra na Faixa de Gaza desde outubro de 2023. O levantamento foi divulgado nesta segunda-feira pela organização palestina de direitos humanos Adalah, por meio de um relatório detalhado intitulado “Apartheid na academia israelense: estudantes palestinos após 7 de outubro de 2023”.

O documento analisa a ruptura nas relações acadêmicas e a mudança de conduta adotada pela administração das instituições de ensino superior em relação aos estudantes palestinos logo após o início do conflito armado, no dia 8 de outubro de 2023. Segundo o levantamento, reitorias e comitês de disciplina passaram a enquadrar publicações civis na internet e declarações políticas como “apoio ao terrorismo”, instaurando processos disciplinares sumários.

Dos 100 alunos atingidos pelas punições analisadas pela organização, a imensa maioria sofreu cortes preventivos de matrícula. “Em mais de 80 casos, as instituições impuseram suspensões temporárias antes de realizar qualquer audiência e antes mesmo de determinar se a suposta violação havia ocorrido”, afirmou a entidade de direitos humanos no relatório.

Nos casos mais severos, os tribunais internos aplicaram sanções definitivas ou de longo prazo que interromperam trajetórias acadêmicas inteiras. “Em 20 casos, os estudantes foram expulsos permanentemente ou suspensos dos estudos por períodos que variaram de um a cinco anos”, acrescentou a Adalah no documento.

A apuração da entidade aponta que os processos disciplinares miraram atos rotineiros de livre manifestação civil. Foram alvos de perseguição questionamentos abertos sobre as decisões do governo israelense, protestos contra as ordens de bombardeio do Exército na Faixa de Gaza e gestos públicos de apoio aos civis encurralados pelo cerco militar.

A censura acadêmica alcançou interações simples nas redes digitais particulares. Conforme o relatório, “em alguns casos, um simples ‘curtir’ em uma publicação, a exibição de uma bandeira palestina ou da palavra ‘Palestina’ em um perfil, o compartilhamento de uma reportagem ou a publicação de uma oração pelos moradores de Gaza foram suficientes para desencadear uma denúncia ou um processo disciplinar”.

Além do rigor desproporcional nas penalidades, o relatório da Adalah expõe a violação contínua do direito elementar de defesa. A entidade registrou diversos episódios em que estudantes foram intimados a depor perante comissões julgadoras sem sequer saber do que estavam sendo formalmente acusados. Em outras ocorrências, as autoridades das universidades aplicaram punições sem antes checar se as contas virtuais sob denúncia pertenciam de fato aos matriculados ou se os conteúdos já existiam antes de outubro de 2023.

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista, fundador e editor do portal Fronteira Livre. Com vivência em diferentes países da América Latina e atuação voltada ao jornalismo territorial, dedica sua escrita à análise política, social e cultural das fronteiras, dos territórios e das realidades que marcam a vida dos povos latino-americanos.

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