Español Português
AGORA

Israel condena jornalista palestino a 4 anos de prisão

Decisão contra Mahmoud Fatafta é classificada por sindicato como tentativa de silenciar relatos sobre a ocupação militar na Cisjordânia

Mahmoud Fatafta foi sentenciado a quatro anos de reclusão por tribunal militar de Israel. Foto: Abdallah F.s. Alattar – Anadolu Agency

Belém, Cisjordânia – Um tribunal militar israelense condenou o jornalista palestino Mahmoud Fatafta a quatro anos de prisão sob a acusação de suposta “incitação”, informou o Sindicato dos Jornalistas Palestinos nesta terça-feira.

O comunicador e analista político estava sob custódia das Forças Armadas de Israel desde o dia 30 de maio de 2024. Na ocasião, soldados israelenses o interceptaram quando ele passava pelo posto de controle militar de Container, uma das principais barreiras de triagem do Exército situada a nordeste de Belém, no sul da Cisjordânia ocupada. O bloqueio corta rotas obrigatórias entre cidades palestinas e serve frequentemente de ponto para revistas, atrasos diários e detenções de civis.

Em nota oficial distribuída à imprensa, o Sindicato dos Jornalistas Palestinos repudiou a sentença e classificou a punição como “um novo capítulo na perseguição aos jornalistas palestinos e uma tentativa sistemática de silenciar vozes e suprimir a liberdade de opinião e expressão”.

A entidade afirmou que levar civis e profissionais de comunicação a tribunais militares controlados pelo próprio Exército de ocupação constitui “uma flagrante violação do direito internacional e do direito internacional humanitário”. Segundo a categoria, o sistema judicial militar de Israel opera como instrumento de coerção contra a cobertura local, com o objetivo explícito de punir, desgastar e impedir que repórteres exerçam seu trabalho diário de apuração.

O sindicato explicou que a punição imposta a Fatafta não é um caso isolado, mas parte de uma estratégia contínua de detenções em massa. Essa política, segundo o documento, busca “ocultar a narrativa palestina e silenciar as vozes que relatam a verdade sobre o que está acontecendo no terreno”.

A representação profissional denunciou ainda que as acusações enquadradas como “incitação” tornaram-se um dispositivo genérico aplicado pelas autoridades militares israelenses. O mecanismo legal permite enquadrar ativistas, analistas e repórteres que publicam críticas à ocupação, registram abusos em postos de fiscalização ou expõem ações armadas contra a população local, esvaziando na prática as garantias fundamentais da liberdade de expressão e da atividade jornalística.

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista, fundador e editor do portal Fronteira Livre. Com vivência em diferentes países da América Latina e atuação voltada ao jornalismo territorial, dedica sua escrita à análise política, social e cultural das fronteiras, dos territórios e das realidades que marcam a vida dos povos latino-americanos.

Receba notícias no WhatsApp do Fronteira LivreReceba notícias no WhatsApp do Fronteira Livre

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *