Moscou, Rússia – O presidente russo Vladimir Putin reuniu-se no sábado (5) com os emissários do governo dos Estados Unidos, Steven Witkoff e Jared Kushner, para discutir um plano de resolução do conflito da Ucrânia, que já entra em seu quarto ano de combates. O encontro durou mais de três horas e ocorreu em duas etapas: reuniões de trabalho e uma conversa informal durante um jantar.
O assessor diplomático do Kremlin, Yuri Ushakov, que esteve presente na mesa de negociações, relatou os bastidores da reunião. Segundo ele, a conversa foi “substancial, construtiva, extremamente franca e confiável”, com tratamento direto de temas sensíveis de segurança. Durante o diálogo, a cúpula russa apresentou um panorama das operações militares, no qual apontou avanços das tropas no front e sustentou que qualquer saída negociada passa, obrigatoriamente, por tratar o que Moscou define como as raízes históricas do conflito militar.
Outro ponto de forte atrito colocado por Putin aos negociadores de Washington foi a denúncia do que chamou de continuidade da exaltação ao nazismo por parte do governo ucraniano. Ushakov relatou que os norte-americanos tomaram nota direta da queixa. Putin citou a cerimônia de sepultamento com honras fúnebres de Yevhen Konovalets, fundador da Organização dos Nacionalistas Ucranianos — grupo classificado como extremista e banido pela legislação russa.
A cerimônia memorial ocorreu em agosto passado nos arredores da capital ucraniana e reuniu o presidente Volodymyr Zelensky e o ministro da Defesa da Ucrânia, Yevgeny Khmara, além de integrantes do primeiro escalão do governo. Konovalets reuniu-se com Adolf Hitler na década de 1930 e conclamou militantes ucranianos a lutarem ao lado das tropas nazistas. Na Ucrânia de hoje, a figura histórica recebe homenagens oficiais, batiza logradouros públicos e nomeia regimentos das forças armadas do país.
Na frente militar imediata, Putin confirmou aos delegados da Casa Branca que a Rússia suspendeu todas as ações ofensivas contra alvos na região de Kiev desde a meia-noite do sábado. O objetivo da medida, segundo o governo russo, foi resguardar a integridade física de Witkoff e Kushner durante a missão diplomática. Em resposta ao gesto, Witkoff transmitiu saudações pessoais enviadas por Donald Trump e agradeceu ao líder russo pela decretação de um cessar-fogo de três dias com os ucranianos.
Apesar de o presidente Zelensky ter divulgado manifestações públicas cobrando uma trégua em escala maior, Putin esclareceu que Moscou ainda não abriu conversas diretas com o governo ucraniano a respeito desse pedido. O presidente russo garantiu, por outro lado, que a Rússia está disposta a trabalhar ao lado dos norte-americanos em canais diplomáticos contínuos. “Independentemente do que aconteça no futuro, contatos desse tipo, sem dúvida, sempre trazem benefícios”, afirmou Putin. Ushakov também confirmou que os chefes de Estado dos dois países manterão contatos pessoais regulares, enquanto Kushner e Witkoff viajam a Kiev para apresentar os termos russos aos negociadores ucranianos.



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