Caracas, Venezuela – A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, declarou em pronunciamento em cadeia nacional na noite de sábado que o novo acordo de petróleo com os EUA mantém o controle soberano do Estado sobre as reservas do subsolo e canaliza recursos fiscais diretamente para serviços públicos, infraestrutura, saúde e educação. O tratado binacional de energia tem duração de 25 anos e foi oficializado na sexta-feira (28/08), após negociações diplomáticas entre as duas administrações.
O modelo contratual firmado baseia-se na complementaridade produtiva: o governo venezuelano fornece a commodity, a infraestrutura fabril e a mão de obra especializada acumulada por mais de um século, enquanto os norte-americanos entram com o aporte financeiro e as tecnologias necessárias para recuperar e reativar campos petrolíferos em declínio operacional. O projeto abrange 17 blocos de extração e tem como meta declarada ultrapassar o volume de 1,5 milhão de barris produzidos por dia.
“É inútil termos nossas reservas de petróleo no subsolo apenas para aparecermos em uma estatística, quando não podemos convertê-las e traduzi-las em desenvolvimento para a Venezuela”, declarou a presidente interina. Rodríguez também reforçou o planejamento a longo prazo: “Estamos comprometidos com um futuro próspero para a Venezuela, para que os venezuelanos possam olhar para o futuro daqui a um ano, cinco anos, dez anos, cinquenta anos. Estamos pensando na Venezuela do futuro”.
Na equação financeira apresentada pelo Palácio de Miraflores, o impacto tributário estimado alcança uma receita global de até US$ 209,335 bilhões ao longo do contrato, considerando uma cotação internacional de US$ 65 por barril. Desse total, o Estado garante a entrada direta de US$ 19 por barril comercializado nos cofres públicos.
O acordo também reformulou as taxas de royalties na Faixa Petrolífera do Orinoco, fixando um piso obrigatório de 16% — patamar muito superior ao mínimo de 1% aplicado nos contratos assinados na década de 1990. Rodríguez negou qualquer transferência ou alienação de ativos públicos a grupos estrangeiros e confirmou que a estratégia energética inclui a ampliação das exportações de gás natural e o fortalecimento do parque petroquímico do país. “Escolhemos o caminho da diplomacia com os EUA para transformar nossas diferenças em cooperação”, concluiu.



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