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Protestos no Chile denunciam retrocesso ambiental de Kast

Manifestantes marcham contra a desregulamentação ecológica de Kast e denunciam falta de recursos em hospitais públicos chilenos.

Manifestantes carregam cartazes e símbolos da fauna chilena durante ato em Santiago. Foto: EFE.

Santiago, Chile – Centenas de pessoas ligadas à Assembleia Ecologista Nacional, a movimentos estudantis e a coletivos sociais foram às ruas de Santiago e de diversas outras cidades do país neste sábado para a Marcha Nacional contra os Retrocessos Ambientais e pelos Animais. A mobilização teve como foco central a oposição direta às medidas do governo de José Antonio Kast e a exigência de devolução integral dos 43 decretos de conservação ambiental assinados durante o mandato do ex-presidente Gabriel Boric.

As medidas haviam sido retiradas da tramitação na Controladoria pelo atual governo em março passado para revisão. De acordo com as organizações socioambientais, a suspensão dessas normas legais, construídas entre 2023 e 2026, abre caminho para a desregulamentação do setor e favorece o avanço de projetos empresariais sobre áreas de preservação permanente, parques marinhos e espécies nativas ameaçadas.

“Diante do grave retrocesso ambiental que estamos sofrendo, no qual o governo de José Antonio Kast está agindo diretamente contra o meio ambiente, não podemos permanecer em silêncio”, afirmaram os organizadores do movimento em nota divulgada nas redes sociais.

Os ambientalistas também alertaram contra um pacote de medidas criticadas por priorizar o setor empresarial em detrimento da fauna e flora chilenas. Entre as propostas questionadas estão um plano que autoriza a caça de lobos-marinhos para atender à indústria de salmão e à pesca de arrasto industrial, além do projeto apelidado de “Seguro Estatal para Poluir” — mecanismo pelo qual o poder público pagaria indenizações aplicadas por tribunais ambientais contra empresas infratoras. Durante o ato em Santiago, manifestantes carregaram cartazes, entoaram palavras de ordem e exibiram representações de animais silvestres, como os pinguins, alertando ainda sobre o avanço da mineração de terras raras no Sul do país, o aterramento de áreas úmidas e as queimadas ligadas a empresas florestais e às máfias do chamado “Cartel do Fogo”.

Trabalhadores da saúde e educação ocupam praça em Valparaíso

Na manhã de segunda-feira, 1º de junho, a mobilização popular se estendeu à cidade costeira de Valparaíso, concentrando milhares de manifestantes na emblemática Plaza Victoria. O ato ocorreu de forma simultânea à primeira prestação de contas do presidente José Antonio Kast diante do Congresso Nacional, reunindo servidores públicos, sindicatos da educação e lideranças da Central Unitária dos Trabalhadores (CUT) contra os severos cortes no orçamento conduzidos pelo Ministério da Fazenda e as propostas privatizantes da chamada megarreforma.

A vice-presidente nacional da CUT, Sandra Olivares, afirmou que a manifestação expressa a rejeição frontal dos trabalhadores à diminuição dos recursos destinados à saúde pública, alertando que hospitais e unidades de atenção básica já operam sem dinheiro suficiente para atender às necessidades mínimas da população antes do início do inverno. A dirigente cobrou responsabilidade direta do Executivo e dos parlamentares para garantir o custeio do sistema e confirmou que o calendário de protestos continuará ativo nas principais avenidas do país para frear a agenda de austeridade.

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista, fundador e editor do portal Fronteira Livre. Com vivência em diferentes países da América Latina e atuação voltada ao jornalismo territorial, dedica sua escrita à análise política, social e cultural das fronteiras, dos territórios e das realidades que marcam a vida dos povos latino-americanos.

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