Guaíra, PR – A Receita Federal participa nesta terça-feira (9) da Operação Sicarius, ação realizada em conjunto com a Polícia Federal para desarticular uma organização criminosa suspeita de atuar em um esquema de lavagem de dinheiro vinculado ao contrabando de cigarros e agrotóxicos na fronteira entre o Brasil e o Paraguai.
As investigações apontam que o grupo criminoso operava principalmente na região de Guaíra, no oeste do Paraná, considerada uma das principais rotas de entrada de mercadorias ilegais oriundas do país vizinho. Além disso, os investigadores identificaram indícios de ocultação, dissimulação e conversão de recursos provenientes das atividades ilícitas desenvolvidas pela organização.
De acordo com as apurações, um operador financeiro investigado teria movimentado mais de R$ 375 milhões entre 2019 e 2024. Segundo os órgãos responsáveis pela investigação, ele controlava contas bancárias registradas em nome de terceiros e empresas de fachada utilizadas para movimentar recursos de origem ilícita.
Ainda conforme os levantamentos, o investigado seria uma peça central no esquema de lavagem de dinheiro. Somente em contas bancárias pessoais, a movimentação bruta ultrapassaria R$ 114 milhões no período analisado.
Investigações começaram após prisões por contrabando
As apurações tiveram início a partir da identificação de integrantes da organização envolvidos em diversos crimes relacionados ao transporte de cigarros contrabandeados do Paraguai. A partir dessas ocorrências, as forças de segurança aprofundaram as análises e identificaram possíveis infrações antecedentes ao crime de lavagem de dinheiro.
Durante o andamento das investigações, a 1ª Vara Federal de Guaíra autorizou o afastamento dos sigilos fiscal e bancário dos investigados, medida que permitiu ampliar o rastreamento das movimentações financeiras e patrimoniais ligadas ao grupo.
Esquema utilizava empresas de fachada e terceiros
Segundo a investigação, a organização criminosa obtinha recursos por meio do contrabando, especialmente de cigarros provenientes do Paraguai. Em seguida, os valores eram inseridos no sistema financeiro por mecanismos destinados a ocultar sua origem.
Os investigadores apontam que os suspeitos utilizavam pessoas interpostas e empresas de fachada para registrar bens e realizar transações financeiras. Além disso, a movimentação dos recursos seria operacionalizada por intermédio do operador financeiro investigado.
Operação cumpre mandados em sete estados
A Operação Sicarius cumpre 62 mandados de busca e apreensão, 44 mandados de prisão preventiva e 14 mandados de prisão temporária nos estados do Paraná, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Goiás e Pará.
As ordens judiciais foram expedidas pela 1ª Vara Federal de Guaíra. Além disso, a Justiça determinou a realização de procedimentos fiscais em empresas que receberam aportes financeiros relacionados ao investigado e autorizou o cancelamento de CPF e CNPJ de pessoas físicas e jurídicas envolvidas nos supostos esquemas fraudulentos.
Ao todo, participam da operação sete auditores-fiscais da Receita Federal, dois analistas-tributários e cerca de 220 policiais federais.
Combate aos crimes financeiros
Em nota, a Receita Federal destacou que a atuação integrada com os demais órgãos de segurança busca fortalecer o combate aos crimes financeiros e à lavagem de dinheiro.
O órgão também ressaltou que ações dessa natureza contribuem para a proteção da economia, o enfrentamento da concorrência desleal e a preservação das atividades produtivas legalmente estabelecidas no país.

















