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Benito di Paula morre aos 84 anos em hospital de São Paulo

Artista marcou a música popular ao unir piano e samba em clássicos como 'Meu Amigo Charlie Brown' e 'Retalhos de Cetim'.

O cantor e compositor Benito di Paula, autor de sucessos clássicos como 'Retalhos de Cetim'. Foto: Instagram/Benito di Paula

São Paulo, SP – O cantor, compositor e pianista Benito di Paula morreu neste domingo (18), aos 84 anos, na capital paulista. Ele estava internado no Hospital 9 de Julho, onde enfrentava complicações causadas por um câncer de próstata diagnosticado há cerca de um ano.

A confirmação da morte foi feita pela assessoria de imprensa do músico. De acordo com os representantes do artista, as datas, os horários e o local definidos para o velório e o sepultamento serão divulgados oficialmente pelos familiares nas próximas horas.

Nascido em Nova Friburgo, no estado do Rio de Janeiro, o artista construiu uma linguagem própria na música popular brasileira ao colocar o piano de cauda a serviço do samba e da canção romântica. Essa combinação quebrou barreiras de gênero musical em uma época em que o instrumento ficava restrito a salões de elite ou à bossa nova.

A proposta de Benito encontrou acolhida direta nas camadas populares e nas periferias urbanas. Ao longo de cinco décadas de atividade, o músico emplacou composições que entraram definitivamente para o cotidiano do país, como “Retalhos de Cetim”, “Meu Amigo Charlie Brown”, “Mulher Brasileira” e “Do Jeito Que a Vida Quer”.

Apesar do alcance massivo de suas canções nas rádios e nas vendas de discos, a relação do artista com a engrenagem do mercado fonográfico foi marcada por atritos e distanciamento. Benito sempre recusou a obrigação de cultivar a imagem pública de celebridade televisiva para legitimar sua produção.

Após um longo período sem lançar faixas inéditas, o veterano voltou aos estúdios em 2021 para gravar o álbum “O Infalível Zen”, em parceria com o filho, Rodrigo Vellozo. O trabalho permitiu recuperar partituras antigas e anotações guardadas pelo compositor ao longo dos anos.

Durante a divulgação do projeto conjunto, Benito fez questão de demarcar a separação entre a sua intimidade e a circulação do seu catálogo nas ruas:

“Eu nunca estive na mídia; quem esteve na mídia foi a minha música.”

Na mesma época, o compositor carioca expôs abertamente as pressões comerciais e os limites impostos pelas gravadoras multinacionais sobre a sua liberdade de composição e escolha de repertório:

“Sofri muita censura da minha própria gravadora.”

A trajetória de Benito di Paula encerra um ciclo de criação que provou ser possível dialogar com o grande público sem se submeter passivamente aos padrões estéticos impostos pelos intermediários da indústria cultural.

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista, fundador e editor do portal Fronteira Livre. Com vivência em diferentes países da América Latina e atuação voltada ao jornalismo territorial, dedica sua escrita à análise política, social e cultural das fronteiras, dos territórios e das realidades que marcam a vida dos povos latino-americanos.

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