Governo reafirma defesa da Amazônia e dos direitos humanos

Governo reafirma defesa da Amazônia e dos direitos humanos

Cerimônia de premiação do Concurso Dom Phillips e Bruno Pereira reuniu autoridades, organismos internacionais e representantes da sociedade civil para destacar ações em defesa da floresta, dos povos indígenas e da liberdade de imprensa

Os primeiros colocados receberam R$30 mil, enquanto os segundos e terceiros lugares receberam R$15 mil e R$5 mil, respectivamente - Foto: Valter Campanato/Agência Brasil.
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Brasília, DF – O Governo Federal reafirmou nesta terça-feira (11) seu compromisso com a defesa dos direitos humanos, o combate à desinformação e a proteção da Amazônia e de seus povos. A declaração ocorreu durante a cerimônia de entrega do Concurso Dom Phillips e Bruno Pereira de Jornalismo e Comunicação em Defesa do Meio Ambiente, Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais, realizada no Palácio Itamaraty, em Brasília.

O evento homenageou o legado do jornalista Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira, assassinados em 2022 no Vale do Javari, no Amazonas. A iniciativa busca incentivar produções jornalísticas e comunicacionais voltadas à proteção ambiental, aos direitos dos povos indígenas e ao enfrentamento da desinformação.

A solenidade foi aberta com a execução do Hino Nacional Brasileiro em língua indígena Tikuna, interpretado pela artista e jornalista Djuena Tikuna. A programação reuniu representantes do governo federal, organismos internacionais e organizações da sociedade civil.

A atividade integra ações desenvolvidas no âmbito das Medidas Cautelares 449-22 da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), construídas em diálogo entre o Estado brasileiro, beneficiários, peticionários e instituições internacionais.

Durante o evento, o ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), Sidônio Palmeira, destacou a importância da iniciativa para a valorização do jornalismo e da liberdade de expressão.

“A Secom tem trabalhado para a construção de um concurso que valorize o jornalismo e a liberdade de expressão. Na verdade, é um momento e uma manifestação de questionamento, de indignação por tudo o que aconteceu com Bruno e Dom, que lutaram na defesa do meio ambiente e das terras amazônicas.”

Homenagem às famílias

A cerimônia também prestou homenagem aos familiares de Dom Phillips e Bruno Pereira. Representando os familiares do jornalista, participou Alessandra Sampaio, fundadora e diretora-presidente do Instituto Dom Phillips. Já a diretora de Povos Isolados e de Recente Contato do Ministério dos Povos Indígenas, Beatriz Matos, representou os familiares do indigenista.

Ao receber a homenagem, Alessandra Sampaio ressaltou a relevância do concurso para a continuidade do trabalho de documentação e cobertura da Amazônia.

“Os mais de 900 comunicadores inscritos no concurso representam a esperança de continuar mostrando a realidade e a potência da Amazônia em campo.”

Beatriz Matos destacou a importância da proteção dos povos indígenas isolados e de recente contato como forma de preservar o legado de Bruno Pereira.

“Acredito que a verdadeira honra que a gente pode fazer ao trabalho do Bruno e à sua vida, e a tudo que ele fez, é a proteção aos povos indígenas isolados e de recente contato, sobretudo. É bonito ver que, realmente, a gente não está sozinha com as nossas dores.”

Antes dos pronunciamentos oficiais, as representantes receberam flores e placas honoríficas das autoridades presentes. A homenagem foi encerrada com a exibição de um vídeo institucional sobre a trajetória de Dom Phillips e Bruno Pereira, seguida por uma nova apresentação musical de Djuena Tikuna.

Mais de 900 inscrições

Coordenado pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), por meio da Secretaria de Políticas Digitais (SPDigi), o concurso recebeu mais de 900 inscrições de diferentes regiões do país.

A iniciativa contou com a parceria dos ministérios dos Povos Indígenas, dos Direitos Humanos e da Cidadania e das Relações Exteriores, além do apoio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Os recursos foram provenientes do Fundo de Defesa de Direitos Difusos (FDD), vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Também participaram da organização entidades da sociedade civil, entre elas a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), Repórteres Sem Fronteiras (RSF), Artigo 19 Brasil e América do Sul, Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Instituto Vladimir Herzog, Washington Brazil Office, Tornavoz e Instituto Dom Phillips.

Ao todo, foram distribuídos R$ 300 mil em premiações. Os vencedores de cada categoria receberam R$ 30 mil, enquanto os segundos e terceiros colocados receberam R$ 15 mil e R$ 5 mil, respectivamente.

Na categoria Reportagem em Texto, o primeiro lugar ficou com “Missão Yanomami”, de Aline Diniz e Lucas Moraes. Em Reportagem Audiovisual, o trabalho vencedor foi “Dois Mundos”, de Vinicius Sassine. Já na categoria Comunicação de Autoria Indígena, a primeira colocação foi conquistada por “Os ‘índios’ que não tinham nome”, de Paulo Jeremias Aires.

O concurso também reconheceu produções em fotojornalismo, comunicação de comunidades tradicionais e iniciativas de educação midiática, reforçando o papel da comunicação na defesa dos direitos humanos, da democracia e da preservação ambiental.


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