BUENOS AIRES — Planejar uma viagem para a Argentina é abrir as portas para um universo de cultura vibrante, gastronomia marcante e paisagens inesquecíveis. Para quem deseja ir além dos roteiros tradicionais e vivenciar a verdadeira essência portenha, o Cemitério da Chacarita se consolida como um passeio surpreendente e indispensável no turismo em Buenos Aires.
Embora o Cemitério da Recoleta concentre a maior fama entre os viajantes, a Chacarita ganha de longe em extensão e riqueza histórica. São 95 hectares distribuídos em mais de 90 quarteirões, ostentando o título de maior cemitério do país.
A origem do espaço remonta a 14 de abril de 1871, quando foi fundado devido a uma severa epidemia de febre amarela que sobrecarregou os cemitérios da cidade. Hoje, o local abriga cerca de 10 mil jazigos, 350 mil gavetas e 100 mil sepulturas subterrâneas, funcionando como um autêntico museu a céu aberto.
Logo na chegada, o visitante é impactado por um imponente pórtico neoclássico decorado com uma alegoria do juízo final. O monumento é garantia de fotos incríveis para o seu álbum de viagem e abre caminho para belas alamedas arborizadas, repletas de esculturas e relíquias arquitetônicas.
Para os amantes do ritmo mais famoso da Argentina, este é o local de visitação obrigatória no turismo em Buenos Aires. Na Rua 33 fica a tumba mais procurada de todo o complexo: o mausoléu de Carlos Gardel.

A devoção ao Rei do Tango é tamanha que sua tumba se tornou um verdadeiro ponto de peregrinação. Ao redor de sua estátua em tamanho real — que retrata o cantor sorridente e de terno —, os fãs mantêm a curiosa tradição de deixar flores, velas e até um cigarro aceso entre os dedos do monumento.
O local ostenta cerca de 400 placas com agradecimentos por “graças alcançadas”. Todo dia 24 de junho, data de sua morte em um trágico acidente aéreo na Colômbia no auge da carreira, o espaço ganha vida com flores, velas e fãs que passam o dia cantando clássicos como “Por una cabeza” e “Volver”.
Na mesma área, especialmente no setor 7E, descansa uma verdadeira orquestra de ícones do tango. Por lá estão os restos mortais de mestres como Osvaldo Pugliese, Aníbal Troilo, Roberto Goyeneche, Astor Piazzolla, o letrista brasileiro Alfredo Le Pera e o compositor Gerardo Gandini.
A lista de personalidades sepultadas na Chacarita inclui ainda o pintor Quinquela Martín (embaixador do bairro La Boca), o prêmio Nobel Bernardo Houssay e o campeão de boxe Pascual Pérez. O local também abrigou o ex-presidente Juan Domingo Perón, antes de sua trasladação em 2006.
Organizar esse passeio cultural durante o seu turismo em Buenos Aires é simples, prático e muito econômico. O acesso ao portão principal, localizado na Avenida Guzmán, 680, é imediato para quem utiliza o metrô (subte).
Basta pegar a Linha B (Vermelha) e desembarcar na estação Federico Lacroze, que fica exatamente em frente ao cemitério. O transporte de metrô na cidade é rápido, barato e muito fácil de navegar, mesmo para quem visita a capital argentina pela primeira vez.
O cemitério funciona diariamente, das 7h30 às 17h. Para não se perder pelos mais de 90 quarteirões, você pode aproveitar as visitas guiadas gratuitas oferecidas no segundo e no quarto sábado de cada mês, às 10h, com duração de uma hora.
Após percorrer as alamedas, vale a pena esticar o roteiro pelo charmoso bairro da Chacarita. A região abriga o tradicional Mercado de Pulgas para os fãs de antiguidades, a sorveteria artesanal Occo e a emblemática pizzaria Imperio de la Pizza, aberta desde a década de 1940.
SERVIÇO:
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Cemitério da Chacarita (popularmente conhecido como Cemitério dos Tangueiros), o maior cemitério da Argentina e importante patrimônio cultural e histórico.
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Av. Guzmán, 680 – Bairro Chacarita, Buenos Aires. Acesso direto desembarcando na Estação Federico Lacroze da Linha B (Vermelha) do metrô.
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Aberto de segunda-feira a domingo, das 7h30 às 17h. Visitas guiadas gratuitas no 2º e 4º sábado do mês, às 10h.
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Entrada gratuita para visitação autoguiada e para os tours guiados oficiais da prefeitura.
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Carteira de Identidade (RG) original emitida por SSP (em bom estado) ou Passaporte válido para entrada de brasileiros na Argentina.
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Entrada livre pelo portão principal. Dúvidas sobre horários atualizados de tours podem ser consultadas no balcão de informações ou no portal de turismo de Buenos Aires.















