Foz do Iguaçu, PR – O avanço do cigarro eletrônico e a volta do crescimento no consumo de tabaco tradicional no país entraram na rotina de debates em locais de trabalho. Diante do impacto direto na rotina dos trabalhadores e dos riscos à saúde cardiovascular, iniciativas em empresas buscam frear a desinformação em torno dos chamados dispositivos eletrônicos para fumar (DEFs), frequentemente vistos de forma equivocada como inofensivos.
Dados da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) apontam que o índice de adultos fumantes no Brasil saltou de 9,3% em 2023 para 11,5% em 2024, quebrando uma série histórica de queda com uma alta próxima a 25%. Paralelamente, o 3º Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad III), conduzido pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), revelou que 8,8% da população brasileira a partir dos 14 anos já experimentou cigarro eletrônico. Desse total, 63,6% continuaram consumindo os aparelhos.
“O ambiente corporativo é interessante para conversas sobre hábitos saudáveis, porque permite alcançar diferentes faixas etárias. Além disso, as pessoas normalmente passam mais tempo no trabalho do que em casa”, afirma o cardiologista Eduardo Martins, fundador do Instituto de Cardiologia Comportamental (ICcor), em Foz do Iguaçu. O médico leva aos trabalhadores orientações sobre alfabetização em saúde, funcionamento do organismo e impactos dos exercícios físicos, reforçando que costumes ligados a sono, alimentação, sedentarismo e substâncias químicas afetam a vida diária e a jornada profissional.
Em Foz do Iguaçu, o setor produtivo começou a abrir espaço para esse diálogo. Ademir Boldrini, de 73 anos, proprietário da empresa Eletromil Engenharia, organizou uma rodada de palestras com o médico voltada à equipe operacional. Praticante de musculação, hidroginástica há 25 anos e com rotina de acompanhamento médico contínuo, Boldrini explicou a motivação: “Muitos dos nossos funcionários desempenham trabalhos pesados, então é ainda mais importante que mantenham hábitos saudáveis para viver bem, sem dor e complicações”.
O foco nos cigarros eletrônicos atende a um problema médico imediato. Formados por reservatório de líquido, dispositivo de aquecimento, bateria de lítio e bocal, os aparelhos foram classificados como um novo fator de risco para o coração pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). O posicionamento da entidade alerta que o aquecimento de solventes e aditivos durante o funcionamento gera substâncias tóxicas tanto no líquido quanto na estrutura do aparelho.
A absorção de nicotina acelera os batimentos cardíacos, eleva a pressão arterial e desencadeia estresse oxidativo, danificando células e vasos sanguíneos, além de aumentar a probabilidade de infarto do miocárdio. “Do ponto de vista cardiovascular, o vape pode ser até pior, porque vicia mais e a pessoa acaba fumando até em lugares fechados como shoppings, por não ter cheiro de cigarro. Os fumantes confirmam que é mais difícil largar o vape”, explica Martins. Estimativas clínicas indicam que um vaporizador com 1.500 tragadas equivale ao consumo de cinco maços de cigarro comum.
O médico chama atenção ainda para o uso duplo: “Há pessoas associando o uso de cigarros eletrônicos ao uso de cigarros convencionais e isso é ainda mais preocupante”.
Além das sequelas individuais, o tabagismo gera um rombo econômico coletivo. Estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca) indicam que o hábito custa anualmente R$ 67,2 bilhões em despesas médicas diretas — o correspondente a 7% de todo o gasto nacional em saúde — e outros R$ 86,3 bilhões em custos indiretos causados por perda de produtividade, mortes prematuras e incapacidade para o trabalho. O cálculo do Inca evidencia a desproporção: para cada R$ 1 de lucro obtido pela indústria do tabaco, o Brasil arca com R$ 2,31 em despesas médicas diretas e R$ 5,10 em custos sociais e econômicos totais.
Formado pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio), com residência no Prontocor em Belo Horizonte e passagem pela Cleveland Clinic, nos Estados Unidos, Eduardo Martins integra desde 2015 o corpo clínico do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, além de atuar no Hospital Municipal Padre Germano Lauck e no Hospital Itamed, na Tríplice Fronteira. Martins reforça que levar informação aos locais de convivência cotidiana reduz danos a longo prazo, permitindo que os próprios trabalhadores identifiquem sinais de alerta em si e em familiares.
Serviço:
Dr. Eduardo Martins – cardiologista
CRM 24039 – RQE 18.007 | RQE 15.179
Contato: (45) 99127-7711 / (45) 3027-7274
Endereço: Edifício Caesar Tower – Av. Pedro Basso, 472, sala 407, 4º andar, Polo Centro, Foz do Iguaçu (PR)
Site: www.dreduardocardio.com.br
Rede social: @dreduardomartins_iccor



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