Foz do Iguaçu, PR – Produtores de frutas e hortaliças do Paraná enfrentam nos últimos anos barreiras relacionadas à obtenção de defensivos agrícolas registrados, às exigências de certificação e à abertura de novos mercados. Para debater e encaminhar soluções a esses entraves, a Comissão Técnica (CT) de Hortifruticultura do Sistema FAEP realizou nesta terça-feira a sua última reunião de 2026, momento em que o grupo fez um balanço das ações desenvolvidas ao longo da gestão iniciada em 2024.
Durante o triênio, o colegiado foi liderado pelos produtores Marco Antônio Machado, de Cornélio Procópio, e Paulo Ricardo Da Nova, presidente do Sindicato Rural de São José dos Pinhais. O grupo promoveu nove encontros que mobilizaram representantes de 48 sindicatos rurais para debater as principais demandas do setor produtivo. Um dos principais eixos de atuação foi a articulação em âmbito nacional para ampliar o registro de defensivos agrícolas e produtos biológicos voltados às chamadas culturas com suporte fitossanitário insuficiente, conhecidas como minor crops. A ausência de produtos legalizados para determinadas frutas e hortaliças costuma agravar o controle de pragas e doenças no campo.
O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, comentou sobre a atuação da entidade nessa frente. “O Sistema FAEP participou das discussões em âmbito federal e coordenou a pauta de defensivos agrícolas e produtos biológicos para essas culturas. Desde 2018, quando o tema ganhou relevância nacional, somos referência nesse trabalho, que busca ampliar as alternativas disponíveis para o manejo das lavouras”, afirmou. Dados apresentados no balanço indicam que 609 marcas comerciais obtiveram registro nesse segmento, oferecendo mais opções de manejo aos agricultores.
A comissão também acompanhou de perto os avanços na certificação da produção vegetal, que conta com protocolos específicos para culturas como banana, café, goiaba, morango e plantações florestais. Paralelamente, a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) intensificou o diálogo com o setor varejista para divulgar os benefícios do selo de certificação paranaense, medida que visa valorizar os itens cultivados no estado e facilitar o acesso a novos mercados consumidores.
Para auxiliar os produtores a cumprirem as exigências burocráticas e técnicas, instrutores do Sistema FAEP vinculados ao programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) na cadeia de hortifruticultura passaram por capacitação e foram cadastrados junto à Adapar. Com isso, os profissionais estão habilitados a atuar como responsáveis técnicos pelas propriedades atendidas, dando suporte direto aos agricultores no processo de adequação aos protocolos oficiais.
O encontro de encerramento também abriu espaço para a discussão sobre inovação tecnológica no campo. A bióloga Isabella Gotti, coordenadora de Pesquisa e Desenvolvimento da Koppert, apresentou um panorama sobre o avanço dos defensivos biológicos, setor que atualmente soma 1.016 produtos com registro ativo no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Entre os tópicos debatidos esteve o uso de drones e a redução do volume de calda nas aplicações, além da apresentação de uma nova formulação concentrada voltada ao ultrabaixo volume, cujos insumos atendem aos critérios exigidos para a agricultura orgânica.



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