Curitiba, PR – O excesso de chuvas registrado no Paraná tem provocado atrasos expressivos no plantio da soja e comprometido a qualidade do trigo que ainda está no campo. A situação decorre de um cenário climático adverso iniciado em setembro, mês que registrou o maior volume de precipitações para o período desde o início da série histórica do Simepar há mais de 25 anos. Os prejuízos aos produtores rurais incluem desvalorização comercial dos grãos por perda de qualidade, elevação dos custos operacionais e mudanças drásticas no calendário agrícola que ameaçam inclusive a safra de milho.
De acordo com levantamento do Deral, vinculado à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), a semeadura da soja alcançou 39% da área prevista no estado na segunda quinzena de outubro, o equivalente a 5,7 milhões de hectares. O ritmo lento dos trabalhos gera preocupações em várias regiões. Em Manoel Ribas e Ivaiporã, no Vale do Ivaí, o produtor rural Marcelo Alberton relata ter tido apenas seis dias de sol com janelas úteis para o plantio de sua lavoura desde o início de setembro, período em que também precisava concluir a colheita do trigo.
Problemas semelhantes ocorrem em Engenheiro Beltrão e Roncador, no Noroeste paranaense, onde o agricultor Mauro César Volponi dos Santos estima um atraso de cerca de 20 dias em sua programação. Segundo Santos, uma única semana acumulou 250 milímetros de chuva em suas terras, provocando encharcamento, erosão e afloramento de água, além de forçar gastos adicionais de até R$ 200 por hectare apenas com novas aplicações de herbicidas para conter o avanço de plantas daninhas como a buva.
Para o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, os impactos financeiros e logísticos pesam diretamente sobre a renda das famílias do campo. “Os prejuízos das chuvas vão além da lavoura, uma vez que aumentam os custos de produção, comprometem a renda e dificultam o planejamento. Por isso, o Sistema FAEP atua na defesa de um seguro rural e de políticas públicas que permitam ao produtor condições de enfrentar essas perdas e manter sua atividade”, afirmou.
No caso do trigo, a umidade persistente e a demora na colheita provocam quedas em indicadores comerciais importantes, como o peso hectolítrico (PH) e o Número de Queda (Falling Number). A coordenadora do Departamento Técnico e Econômico (DTE) da entidade, Ana Paula Kowalski, explica que a deterioração dos grãos inviabiliza o uso da farinha para panificação, reduzindo o valor de mercado pago ao agricultor. Além disso, a alta umidade gera filas prolongadas de caminhões nas cooperativas locais devido à saturação da capacidade de secagem, elevando gastos com fretes.
O efeito cascata do clima adverso também ameaça o planejamento da segunda safra. Com o atraso e o alongamento do ciclo da soja, a janela de plantio do milho safrinha será empurrada para fevereiro e março, elevando o risco de quebras de produtividade que impactam diretamente atividades como a suinocultura.



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