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Feirão Limpa Nome reuniu 3,3 mil empresas no Brasil

Levantamento da Serasa apontou que 51,1% dos adultos brasileiros estavam com contas em atraso

No Paraná, aproximadamente 4,3 milhões de pessoas estavam com dívidas em atraso. Foto: Divulgação.

São Paulo, SP – O Brasil chegou a 84,2 milhões de pessoas inadimplentes, o maior número desde o início da série histórica da Serasa, em 2016. O total representava 51,1% da população adulta do país. Diante desse cenário, a empresa realizou, a partir de 3 de novembro de 2026, a 36ª edição do Feirão Serasa Limpa Nome, que reuniu mais de 3,3 mil empresas parceiras e disponibilizou mais de 750 milhões de ofertas para renegociação de dívidas, com descontos que chegaram a 99%.

No Paraná, o número de pessoas com contas em atraso também havia aumentado. Segundo os dados divulgados pela Serasa, o estado registrou alta de 1,48% em relação ao mês anterior e chegou a aproximadamente 4,3 milhões de inadimplentes. Eram mais de 19,7 milhões de dívidas, que somavam R$ 37,7 bilhões.

O levantamento da Serasa, referente a setembro de 2026, apontou que as dívidas dos brasileiros alcançaram R$ 597,4 bilhões, valor 0,90% superior ao registrado em agosto. O montante médio devido por consumidor chegou a R$ 7.093,83, equivalente a aproximadamente 4,4 salários mínimos.

A edição daquele ano ofereceu um volume de propostas 14% maior que o da edição realizada no mesmo período de 2025. Além dos descontos, consumidores com dívidas elegíveis puderam ter o nome retirado dos cadastros de inadimplência imediatamente após o pagamento do acordo por Pix.

Financeiras ultrapassaram contas básicas no ranking nacional

Os dados também mostraram mudanças no perfil das dívidas no Brasil. Bancos e cartões de crédito continuaram na primeira posição entre os principais responsáveis pela inadimplência, com 27,16% do total. A novidade foi que, pela primeira vez, as financeiras apareceram em segundo lugar, passando de 20,14% para 20,66% de participação.

Com esse crescimento, as dívidas com financeiras ultrapassaram as contas básicas de água, luz e gás, cuja participação caiu de 20,71% para 20,32% no período analisado.

A mudança indicou o aumento do peso das obrigações financeiras no endividamento das famílias. Embora as contas de serviços essenciais continuassem representando uma parcela expressiva dos débitos, as dívidas contraídas com instituições financeiras passaram a ocupar uma posição ainda maior.

A diretora da Serasa, Aline Maciel, afirmou que a inadimplência havia crescido 34,17% desde 2020 e aumentado 6% entre setembro de 2025 e setembro de 2026. Segundo ela, desde abril daquele ano havia uma desaceleração no ritmo de crescimento, mas o número de pessoas inadimplentes continuava aumentando.

“Por isso, os mutirões de renegociação de dívidas são cada vez mais importantes: ajudam a conter esse avanço e, junto com ações de educação financeira, a evitar que as pessoas voltem a ficar inadimplentes”, explicou a diretora.

Inadimplência no Paraná: bancos lideraram as dívidas

No Paraná, os bancos e cartões de crédito foram os principais responsáveis pelas dívidas em atraso, correspondendo a 25% do total. As financeiras apareceram em seguida, com 18,4%, enquanto as contas básicas de água, luz e gás representaram 16,6%.

O perfil das pessoas inadimplentes no estado também foi detalhado pelo levantamento. Os homens correspondiam a 51,5% do total, enquanto as mulheres representavam 48,5%. Na divisão por faixa etária, os grupos de 41 a 60 anos e de 26 a 40 anos concentravam as maiores parcelas, com 35,3% e 35,2%, respectivamente.

Os números mostraram que o endividamento no Paraná acompanhava a tendência nacional de crescimento das dívidas com instituições financeiras, embora os bancos e cartões já tivessem uma participação maior no estado do que a registrada no levantamento nacional.

Feirão ofereceu mais de 750 milhões de propostas

A 36ª edição do Feirão Serasa Limpa Nome foi a maior já organizada pela empresa em número de parceiros e volume de ofertas. Foram mais de 3,3 mil empresas participantes e 750 milhões de propostas de negociação, um crescimento de 14% em relação ao ano anterior.

Na edição passada, realizada no mesmo período de 2025, foram fechados mais de 10,2 milhões de acordos em todo o país. O resultado indicou a procura por alternativas para regularizar dívidas e recuperar o acesso ao crédito.

Aline Maciel afirmou que a ampliação das condições de negociação buscava atender à parcela da população que enfrentava dificuldades para manter as contas em dia.

“Chegamos a um momento em que mais da metade da população adulta brasileira enfrenta a inadimplência. Por isso, ampliar o acesso à renegociação é fundamental para que milhões de pessoas tenham a oportunidade de reorganizar suas finanças. Esta edição histórica do Feirão reúne o maior volume de ofertas que já disponibilizamos, com condições que buscam facilitar a quitação das dívidas e permitir que mais brasileiros comecem um novo capítulo de suas vidas financeiras”, afirmou.

Como foram feitas as negociações no Feirão Limpa Nome

Os consumidores puderam consultar as ofertas e negociar suas pendências até as 23h59 de 6 de dezembro de 2026. O atendimento foi disponibilizado pelos canais oficiais da Serasa:

  • Site: www.serasa.com.br
  • Aplicativo: Serasa, disponível para Android e iOS.
  • WhatsApp: (11) 99575-2096, número oficial da empresa.

Quem preferiu atendimento presencial pôde procurar uma das mais de 7 mil agências dos Correios participantes. Até o encerramento do Feirão, os consumidores puderam consultar e negociar suas dívidas nesses locais sem pagar taxas pelo atendimento.

Para realizar a negociação presencial, era necessário que o titular apresentasse um documento oficial com foto. Segundo a Serasa, as ofertas e condições disponíveis nas agências dos Correios eram as mesmas oferecidas pelo site e pelo aplicativo.

O Feirão foi realizado em um momento em que mais da metade dos adultos brasileiros enfrentava algum tipo de inadimplência. No Paraná, eram aproximadamente 4,3 milhões de pessoas nessa situação. A possibilidade de renegociar débitos com descontos elevados facilitou a regularização de parte dessas pendências, embora as condições variassem conforme a dívida e a empresa credora.

Steve Rodríguez

*Steve Rodríguez é repórter do Fronteira Livre, pesquisador e doutorando pela UNILA com formação interdisciplinar em narrativa audiovisual, estudos culturais latino-americanos e práticas pedagógicas anticoloniais. Sua trajetória combina criação artística (teatro, cinema e cultura visual) com reflexão teórica, orientada pela perspectiva dos estudos visuais de Nicholas Mirzoeff.

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