Campo Novo do Parecis, MT – O policial civil Emilson Ormond Souza, de 56 anos, foi assassinado a tiros na noite deste domingo, 25 de outubro, dentro de um bar na Avenida Brasil, em Campo Novo do Parecis, município situado a 396 quilômetros de Cuiabá. O homicídio ocorreu após um homem armado invadir o comércio e interpelar as pessoas presentes a respeito de suas posições político-partidárias.
De acordo com relatos prestados por testemunhas que estavam no estabelecimento no momento da abordagem, o agressor entrou no recinto perguntando em tom de confronto sobre a preferência eleitoral dos frequentadores:
“Quem é petista?”
Logo após uma das pessoas presentes no bar responder à indagação, o suspeito sacou uma arma de fogo e iniciou uma sequência de disparos em direção aos clientes que ocupavam as mesas e o balcão.
O tiroteio aconteceu por volta das 22h e provocou pânico generalizado no local. Vários clientes tentaram se abaixar e correr para áreas protegidas do imóvel na tentativa de escapar dos tiros. Ao presenciar o ataque contra os civis, o investigador Emilson Ormond Souza tentou reagir e desarmar o atirador, mas acabou atingido por disparos na região do tórax.
Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram acionadas para prestar socorro às vítimas e transportaram o policial ferido até o hospital da cidade. No entanto, em decorrência da gravidade das lesões provocadas pelos projéteis no peito, o servidor público não resistiu aos ferimentos e faleceu na unidade médica.
Outra pessoa que estava no interior do bar também foi alvejada pelos tiros e sofreu ferimentos em um dos pés, recebendo atendimento no mesmo serviço de emergência. O autor dos disparos abandonou a arma ou fugiu a pé imediatamente após a ação criminosa, tomando rumo ignorado pelas ruas do entorno.
A Polícia Civil de Mato Grosso informou que o atirador já foi identificado como um homem de 59 anos. Equipes de investigação e forças policiais da região realizam diligências contínuas para tentar localizar e prender o acusado. A corporação instaurou inquérito para apurar a motivação formal do crime, apurando se o confronto armado decorreu da intolerância partidária evidenciada pela pergunta inicial feita pelo agressor.
O episódio violento em Campo Novo do Parecis coloca em evidência a radicalização ideológica que atinge municípios do interior do país, onde disputas políticas e discursos de ódio transbordam para espaços de convivência comunitária e culminam em atentados armados e mortes violentas de cidadãos e agentes de segurança.
Emilson Ormond Souza acumulava 24 anos de dedicação profissional à carreira na Polícia Civil do Estado de Mato Grosso, dos quais 20 anos foram exercidos diretamente na Delegacia de Polícia de Campo Novo do Parecis, onde era conhecido pela atuação policial junto à comunidade local. O investigador deixa quatro filhos.
A diretoria da Polícia Civil divulgou nota de pesar lamentando o assassinato do servidor, prestando homenagens ao tempo de serviço prestado pelo agente público e manifestando solidariedade aos quatro filhos, parentes, amigos e colegas de delegacia.



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